07 - Melhoria do acesso

Equipe Editorial Bibliomed

Quando se torna mais fácil o acesso aos ACOs, ajuda-se as mulheres a usá-los mais eficientemente. Proporcionar melhor acesso significa garantir a regularidade dos suprimentos, tornar os preços das pílulas mais econômicos e oferecê-las de forma mais conveniente. Se o acesso for difícil, algumas mulheres desistem de usar a pílula, ao passo que outras passam a não tomá-la todo dia para que a cartela dure mais tempo. Outras ainda podem passar para métodos menos eficazes que são mais fáceis de obter ou que não exigem a renovação freqüente do suprimento.

Os seguintes aspectos podem ajudar os programas a tornar a pílula mais econômica, conveniente e acessível:

  • Melhor acesso às clínicas de planejamento familiar
  • Distribuição comunitária
  • Mercadeo social
  • Estímulo ao setor comercial
  • Ligação entre o fornecimento da pílula e outros serviços de saúde

Seja qual for o programa, uma boa administração de logística é essencial para tornar os ACOs continua e plenamente disponíveis.

Melhor acesso às clínicas

Assim como outros métodos anticoncepcionais, as mulheres que têm fácil acesso à pílula tem maior probabilidade de usá-la. Vários estudos já demonstraram que a distância em que se encontra a clínica de planejamento familiar e o tempo exigido para chegar ao local da clínica são importantes para definir se uma mulher usa ou não um método de planejamento familiar (169, 226). Por exemplo, na Tailândia, um estudo constatou que quanto mais próximas do local de entrega de suprimentos de planejamento familiar as clientes moram, maior a probabilidade de que elas usem métodos anticoncepcionais. Mesmo quando se mora a apenas mais alguns minutos de distância, a diferença é considerável. Por exemplo, das mulheres que moravam a menos de três minutos de uma clínica, 47% usavam a pílula, comparado a apenas 24% das que moravam a seis ou mais minutos (49). Igualmente, no Egito, o uso da pílula reduzia-se de forma marcante na medida em que aumentava o tempo de viagem até a fonte de suprimento.

Quando o local para obter mais pílulas tem localização conveniente, isto ajuda a garantir a continuidade do uso. Por exemplo, em Gana, um estudo de mulheres que obtinham as pílulas em uma determinada clínica constatou que quase metade das usuárias que não voltavam à clínica para obter mais pílulas, na verdade continuavam a usá-la. Só que elas preferiam adquiri-las em um local mais conveniente, geralmente farmácias mais próximas às suas casas. As mulheres que dispunham de um local de fornecimento conveniente tinham 3 vezes mais probabilidade de continuar o uso dos ACOs durante um período de um ano, e 2 vezes mais probabilidade de continuar a usá-los durante um período de dois anos do que as mulheres que não dispunham de uma fonte conveniente de suprimento (227).

Esse estudo mostra que as clínicas de planejamento familiar não devem assumir que as clientes que não voltam para obter novo suprimento de pílulas pararam de usá-las. Sobretudo quando as pílulas estão disponíveis em vários locais, muitas mulheres passam a obtê-las da fonte mais conveniente. Portanto, mesmo para as mulheres que obtêm as pílulas inicialmente nas clínicas, quando se deixa a pílula mais acessível em todos os tipos de locais públicos ou comerciais, inclusive aqueles de nenhuma forma associados ao atendimento de saúde, ajuda-se as mulheres a continuar a usar a pílula. Os profissionais de saúde podem informar as clientes não só sobre os serviços baseados na clínica como também sobre outras fontes de pílulas (151).

Fornecimento de mais cartelas de pílulas. Quando se dá a uma mulher mais do que uma cartela de pílulas, isto reduz a possibilidade de que ela fique eventualmente sem o suprimento das mesmas. Além disso, quando se reduz o número de vezes que uma cliente deve voltar à clínica, isto reduz o congestionamento na clínica e o tempo de espera das clientes. O ideal é entregar à mulher 13 cartelas de pílulas – ou seja, o suprimento de um ano – desde que ela não tenha problemas de saúde que necessitam de acompanhamento, tais como a diabete sem comprometimentovascular (84, 85). Depois do primeiro ano de uso da pílula, as clientes podem receber um novo suprimento anual ou até um suprimento para 18 meses, se assim o permitirem as datas de validade das cartelas (84, 95).

Se não houver cartelas suficientes para entregar às usuárias o suprimento de um ano, as mulheres devem receber pelo menos 3 a 4 cartelas. Os planos de acompanhamento devem prever tempo suficiente para obter mais pílulas bem antes do suprimento acabar (84, 111, 180, 235). Nos primeiros anos da pílula, recomendava-se às vezes o acompanhamento mensal no caso das pílulas de dosagem mais alta. Isto se justificava pela necessidade de monitorar as mulheres cuidadosamente em caso de ocorrência de efeitos colaterais. Mas as pílulas atuais, de dosagem mais baixa, nunca foram tão seguras e não exigem um acompanhamento rotineiro da usuária, exceto para fins de entrega de novo suprimento (220). Mesmo assim, as clínicas e serviços limitam geralmente o número de cartelas que entregam às mulheres porque acham, incorretamente, que necessitam acompanhar o estado de saúde das usuárias da pílula (228).

Distribuição comunitária

A distribuição comunitária (DC) constitui o único acesso de certas mulheres aos ACOs. Por meio da DC, o pessoal capacitadoespecialmente pode levar os ACOs e outros suprimentos de planejamento familiar às comunidades e lares.

Em alguns países, a DC é um componente importante do programa nacional de planejamento familiar. Em Zimbábue, por exemplo, onde os níveis de uso dos ACOs estão entre os mais altos do mundo, o programa de DC serve a praticamente 1 de cada 4 clientes de planejamento familiar. Em Bangladesh, um estudo estimou que, em 1993, o uso do planejamento familiar em certas áreas teria sido de apenas 25%, ao invés de 40%, se a DC não tivesse sido um componente importante do programa de planejamento familiar do país (155).

A Distribuição Comunitária é particularmente importante onde não existem centros de saúde ou fontes comerciais de anticoncepcionais. Por exemplo, em 18 aldeias de Mali onde não havia serviços de planejamento familiar, somente 1% das mulheres faziam planejamento familiar. Seis meses após a inauguração de um programa de DC nestas aldeias para oferecer ACOs, espermicidas e preservativos, a prevalência de anticoncepcionais tinha aumentado para 31% em aldeias onde todos os três métodos eram oferecidos, e 21% onde eram oferecidos espermicidas e preservativos, mas não ACOs (45).

Quando os agentes de distribuição comunitária fazem visitas freqüentes para oferecer suprimentos e orientação, a continuidade do uso dos ACOs melhora. Em Bangladesh, as mulheres que tinham recebido a visita domiciliar de agentes de atendimento familiar nos 90 dias anteriores à entrevista tinham 33% menos probabilidade de interromper o uso de anticoncepcionais do que as mulheres que não tinham sido visitadas nos últimos 90 dias. O impacto das visitas domiciliares sobre a continuidade do uso revelou-se forte – e também uniforme, qualquer que fosse a situação social e econômica das mulheres – apesar da área de estudo ter fácil acesso a centros de distribuição de comercialização social e clínicas (91).

Triagem das clientes. A triagem das clientes para identificar as mulheres que podem usar com segurança os métodos hormonais é uma parte importante dos programas de DC. Usando listas de verificação, os agentes de DC podem identificar corretamente as mulheres que não devem usar um método determinado, sem impedir o acesso às mulheres que desejam iniciar o uso dos ACOs (210) (veja o quadro à direita). Os agentes de DC podem também usar uma lista de verificação para certificar-se de que as clientes que continuam a usar os ACOs não apresentem posteriormente algum problema médico que torna o uso da pílula inadequado.

Na República Dominicana, os agentes de DC da organização PROFAMILIA usam um cartão para fazer a triagem de usuárias em potencial de ACOs. Dependendo se a cliente responde Sim ou Não às perguntas, os agentes marcam os quadrinhos correspondentes, identificados por cores diferentes, e a partir daí podem decidir:

(1) fornecer a pílula;

(2) fornecer a pílula, mas pedir à cliente que veja um médico dentro de 3 meses para fins de acompanhamento; ou

(3) pedir à cliente que fale primeiro com um médico (87).

Qualquer pessoa que passe por capacitação específica, supervisão e avaliação de desempenho pode fornecer os ACOs de forma segura e eficaz (246). Os programas devem procurar garantir que as diretrizes de orientação estejam atualizadas segundo os mais recentes conhecimentos científicos e práticas (veja o quadro). Também devem garantir que o pessoal que trabalha com a Distribuição Comunitária tenha tido capacitação e prática apropriadas no uso correto das listas de verificação de triagem (210).

Alcance e participação da comunidade. Os esforços de alcance e participação da comunidade ajudam a criar um ambiente social receptivo que facilita às mulheres o uso correto e contínuo da pílula. Um exemplo deste tipo de participação são as reuniões mensais na casa de um dos membros da comunidade ou em um centro comunitário. Estas reuniões permitem o encontro de profissionais de saúde com os membros da comunidade, criando uma oportunidade para as mulheres conversarem sobre o planejamento familiar, darem apoio umas às outras em termos do uso do planejamento familiar e receber ACOs e outros anticoncepcionais. Esta abordagem teve muito sucesso em Bangladesh, onde o apoio social demonstrou ser o mais forte fator de motivação nas decisões das mulheres quanto ao uso e continuidade do uso de anticoncepcionais (113, 156).

Veja o quadro e Figura

Grande parte do sucesso do programa de planejamento familiar da Indonésia foi também atribuído a um maior acesso e envolvimento comunitário (217).

Comercialização social

A comercialização social melhora o acesso a métodos tais como os ACOs ao torná-los mais amplamente disponíveis, conhecidos e econômicos. A abordagem de comercialização social consiste em oferecer anticoncepcionais pelo setor comercial, a preços subsidiados e, ao mesmo tempo, promovê-los nos meios de massa e pontos de venda. O mercadeo social oferece a pílula em lugares que as usuárias já freqüentam para fazer outros tipos de compras, entre eles mercados, quiosques e supermercados. Isto freqüentemente elimina a necessidade da pessoa ter que sair especificamente para obter as pílulas.

O mercadeo social tem sido usado amplamente. Em 1998, 40 programas de mercadeo social venderam cerca de 66 milhões de cartelas de pílulas a mulheres de 34 países. Estes números são substancialmente mais elevados que em 1991, quando 18 programas de mercadeo social venderam cerca de 22 milhões de cartelas de pílulas em 17 países (82, 83).

Alguns programas de mercadeosocial já funcionam sem subsídios, financiando-se exclusivamente com as vendas de anticoncepcionais. Na Colômbia, o mercadeo social da PROFAMILIA é totalmente auto-sustentável, da mesma forma que outros programas da Jamaica e Malásia. O programa de mercadeo social Círculo Azul da Indonésia é, em grande parte, auto-sustentável (83).

Setor Comercial

Alguns clientes estão dispostos e podem pagar o preço integral por serviços de planejamento familiar. Um número crescente de usuárias prefere pagar pelas pílulas oferecidas pelo setor privado, onde elas podem contar com a qualidade, conveniência e continuidade dos serviços privados. O setor comercial inclui médicos, farmácias, clínicas e hospitais que são geralmente independentes dos subsídios do governo e de instituições doadoras 61).

Ao promover a expansão do setor comercial, melhora-se o acesso aos ACOs porque as usuárias passam a dispor de um número maior de lugares onde obter as pílulas. Também, quando as usuárias de planejamento familiar trocam o setor público pelo setor comercial, os recursos públicos podem ser melhor utilizados para melhorar o acesso de outras mulheres que não têm condições financeiras de pagar o preço integral. As ações governamentais podem estimular a expansão do setor comercial. Por exemplo, ao incluir a pílula na lista de medicamentos essenciais de um país, reduzem-se as barreiras à importação, o que torna os ACOs mais baratos. Estas mudanças podem viabilizar economicamente e tornar mais atraente o investimento do setor privado em produtos e serviços de planejamento familiar (61).

Os governos podem fazer muito para expandir o papel do setor comercial no fornecimento de ACOs e outros anticoncepcionais. Na Indonésia, o governo lançou a campanha Círculo Azul em 1987 tanto para estimular a demanda por serviços privados de planejamento familiar como para expandir o número de profissionais de atendimento de saúde. Como resultado, a porcentagem de usuárias de planejamento familiar que obtinham suprimentos do setor privado aumentou de 12%, no início, a 57%, uma década depois (23, 24, 99).

Aliança do fornecimento da pílula a outros serviços de saúde

A ligação dos serviços de planejamento familiar com outros serviços de saúde pode tornar a pílula mais acessível, especialmente para as mulheres que não estão usando nenhum método anticoncepcional. As clientes que não buscavam especificamente uma clínica de planejamento familiar podem assim obter os ACOs ou outros métodos anticoncepcionais, enquanto recebem outros tipos de atendimento de saúde. Esta aliança pode ser feita com vários outros programas:

Planejamento familiar pós-parto. Os programas de atendimento maternal podem oferecer a pílula e outras opções de planejamento familiar. Em Honduras, quando as pílulas de somente progestogênio e os preservativos foram oferecidos às mulheres após o parto, a porcentagem das que escolhiam o planejamento familiar depois do parto aumentou de 9% a 30%. Cerca de 61% das mulheres que voltavam depois de 40 dias para uma consulta de acompanhamento escolhiam um método anticoncepcional durante a consulta (21, 196).

As mulheres que não estão amamentando seus bebês podem começar a tomar os anticoncepcionais orais combinados 21 dias após o parto, ou então podem começar a tomar os anticoncepcionais orais de somente progestogênio imediatamente após o parto. As mulheres que amamentam podem começar as tomar as pílulas de somente progestogênio 6 semanas após o parto ou podem começar a tomar as pílulas combinadas 6 meses após o parto ou quando pararem de amamentar, o que ocorrer primeiro (85, 245). Em qualquer caso, as mulheres podem receber as pílulas no momento mais conveniente, após o parto ou na consulta posterior de acompanhamento, com instruções precisas de quando elas poderão começar a tomá-las. Desta forma, elas não terão que se deslocar até o local de entrega só para obter suprimentos quando chegar o momento de começar a usar os ACOs.

Eficácia da pílula: questões pendentes

Não existem dados conclusivos sobre até que ponto o uso de antibióticos, o vômito e a diarréia – ou os antibióticos e doenças gastrointestinais juntos – afetam a eficácia da pílula na prevenção da gravidez. Apesar do uso imperfeito ser a principal razão pela qual a pílula falha, existem outros fatores citados por mulheres que engravidaram enquanto usavam a pílula, os quais situam-se geralmente em segundo lugar, depois de pílulas não tomadas (47, 207, 253-255, 258, 259). Como algumas mulheres que usam os ACOs relatam mais de uma razão pelo possível fracasso deste método, é difícil interpretar até que ponto o uso de antibióticos, o vômito e a diarréia reduzem a eficácia da pílula.

Interferência de outros medicamentos

Considera-se que algumas poucas drogas interferem significativamente com a eficácia dos ACOs (243, 245). Já foi demonstrado que as drogas de indução hepática de enzimas diminuem a eficácia da pílula. Estas drogas incluem a rifampicina, griseofulvina antifúngica, barbitúricos e os anticonvulsivos carbamazepina, fenitoína e primadona (12, 32, 34, 44, 125, 172, 202).

Antibióticos de amplo espectro

Alguns estudos menores que avaliaram o efeito dos antibióticos de amplo espectro sobre a eficácia dos ACOs não constataram nenhuma ovulação entre as usuárias de ACOs que tomavam estas drogas. Enquanto em alguns estudos reduziu-se a concentração do etinilestradiol entre as mulheres, o nível de estrogênio manteve-se suficiente para evitar a gravidez (11, 35, 42, 64, 130, 142, 145). As drogas estudadas incluem a ampicilina, ciprofloxacina, doxiciclina, fluconazole, ofloxacina, temafloxacina, tetraciclina e triazole.

No entanto, algumas mulheres que engravidaram tomando a pílula relatam ter tomado antibióticos em torno da época da concepção. Por exemplo, 21% das mulheres que desejavam abortar na Nova Zelândia relataram ter tomado antibióticos nessa época (207). Baseado no questionamento e nas avaliações feitas pelos profissionais que as atenderam, acredita-se que as mulheres desse estudo não deixaram de tomar a pílula na época da concepção (207). Em outros estudos, entre 4% e 34% das mulheres que desejavam abortar depois que engravidaram por falha da pílula, relataram uso concomitante de antibióticos, se bem que esses estudos não dão informações sobre outros fatores que possam ter contribuído à falha da pílula (47, 255).

Uma razão pela qual o uso concomitante de antibióticos parece ser tão comum entre mulheres que experimentam falhas da pílula pode ser o amplo uso dos antibióticos: algumas mulheres engravidam porque deixam de tomar uma ou mais pílulas e, por coincidência, estão usando antibióticos ao mesmo tempo (74).

No entanto, outras mulheres são afetadas fisiologicamente pelo uso dos antibióticos. O corpo de algumas mulheres absorve menos etinilestradiol do que outras. Estas mulheres dependem da flora intestinal para consumir o etinilestradiol e recirculá-lo pelo intestino delgado. Mas os antibióticos de amplo espectro removem esta flora, não restando nenhum mecanismo para redistribuir o etinilestradiol (10, 201). Alguns pesquisadores concluem que somente estas mulheres experimentam a falha da pílula como resultado do uso de antibióticos (10, 201, 234). Infelizmente, não existe forma de identificar estas mulheres antecipadamente (201).

As usuárias da pílula não devem deixar de tomar os antibióticos antes de terminar todo o tratamento antibiótico receitado, mesmo que tenham medo de que eles tornem a pílula menos eficaz. Um número crescente de organismos patogênicos estão aumentando sua resistência a antibióticos de amplo uso porque as pessoas não estão terminando todo o tratamento com antibióticos (257).

Vômitos e diarréia

Em sete estudos de usuárias da pílula que engravidaram, 19% a 39% relataram casos de vômito, diarréia ou ambos durante o ciclo no qual conceberam (47, 207, 253-255,, 258, 259). Entre mulheres que queriam abortar na Nova Zelândia, as quais não se considerava que tivessem deixado de tomar nenhuma pílula, 39% relataram diarréia e/ou vômitos em torno da época da concepção (207). De forma similar, entre mulheres dinamarquesas para as quais a pílula falhou mas que tinham tomado todas as pílulas, 23% relataram gastrenterite em torno da época da concepção (253).

Vômitos e diarréia podem interferir com a absorção tanto do estrogênio como do progestogênio. Apesar dos hormônios dos ACOs serem absorvidos no trato intestinal superior, o aumento da motilidade intestinal durante surtos de doenças parece reduzir a absorção hormonal (63). No entanto, muitas usuárias da pílula não estão cientes de que os vômitos e/ou diarréia podem tornar a pílula menos eficaz (19, 47).

Que conselhos dar?

Não existe um consenso sobre como aconselhar as usuárias da pílula. Alguns recomendam usar uma maior proteção durante esses períodos, mas outros não consideram tal proteção necessária.

Entre as várias recomendações oferecidas estão as seguintes:

  • As usuárias da pílula que estejam tomando antibióticos de amplo espectro não necessitam de um método anticoncepcional complementar já que os estudos farmacológicos não indicam maior risco de falha da pílula nesses casos (84).
  • As usuárias da pílula podem usar um método anticoncepcional adicional se desejarem proteção extra contra a gravidez (7, 234, 241).
  • As usuárias da pílula podem omitir o intervalo de 7 dias sem hormônios entre as cartelas de pílulas, enquanto estiverem tomando antibióticos (72).
  • As usuárias de longo prazo de antibióticos podem aumentar sua proteção anticoncepcional passando a tomar pílulas de dosagem mais alta, como as que contêm 50 m g de etinilestradiol (72).
  • As mulheres que sofram de vômitos e/ou diarréia podem usar um método adicional ou abster-se de ter relações sexuais durante 7 a 14 dias depois que o vômito ou diarréia desaparecerem (85, 120, 135, 194, 206).
  • As mulheres devem tomar outra pílula se vomitarem ou tiverem diarréia dentro de duas horas após tomar uma pílula. Duas horas é tempo suficiente para que os hormônios da pílula sejam absorvidos e mantenham a eficácia anticoncepcional (8).

Planejamento familiar pós-aborto. Menos de um terço de todas as mulheres da América Latina, África e Ásia que são atendidas devido a complicações pós-aborto usaram alguma vez um anticoncepcional moderno (185). As mulheres que têm abortos espontâneos ou induzidos retornam à fertilidade quase que imediatamente. Por esta razão, as clínicas que tratam as mulheres no caso de complicações pós-aborto devem também oferecer orientação e serviços de planejamento familiar.

O oferecimento do planejamento familiar como parte do atendimento pós-aborto pode contribuir enormemente ao uso dos anticoncepcionais. Muitas mulheres que estão sendo tratadas por complicações pós-aborto estão interessadas no planejamento familiar. Por exemplo, no Egito, 62% das pacientes pós-aborto decidiram usar um método de planejamento familiar depois que receberam orientação de um profissional especialmente capacitado. Antes da orientação sobre planejamento familiar ser incluída no atendimento pós-aborto, somente 37% das pacientes decidiam usar o planejamento familiar (98). De forma semelhante, no Quênia, antes da orientação de planejamento familiar ser incluída no atendimento pós-aborto, somente 7% das pacientes pós-aborto recebiam orientação anticoncepcional e somente 3% obtinham um método anticoncepcional. Depois da inclusão, 68% das clientes eram orientadas e 48% recebiam seu método preferido (205).

Clínicas pediátricas. O oferecimento de planejamento familiar junto à imunização e outros serviços de atendimento de saúde infantil pode ser simples e bem sucedido. Por exemplo, o pessoal de uma clínica de imunização de Togo dirigiu-se a 1.000 mulheres selecionadas aleatoriamente, enquanto seus filhos eram imunizados, citando apenas três frases sobre a disponibilidade dos métodos de planejamento familiar na clínica e sobre os benefícios do espaçamento dos nascimentos para a saúde. Seis meses mais tarde, o número médio de novas clientes de anticoncepcionais por mês na clínica tinha aumentado 54% (98, 196).

Um bom controle de logística

Um sistema eficaz de distribuição de anticoncepcionais é essencial para fornecer pílulas às mulheres de forma confiável e regular (54). Não é possível considerar que existe pleno acesso às pílulas se o suprimento das mesmas for limitado ou se não existir pílulas em estoque. A falta de atenção ao controle de logística pode minar todos os outros esforços para melhorar os suprimentos e serviços.

Por exemplo, em Uganda, um programa capacitou o pessoal de enfermagem para fornecer anticoncepcionais orais, preservativos e injetáveis Depo-Provera em várias comunidades. Dentro de 3 meses, o número de novas clientes aumentou 84%. No entanto, o sistema logístico de anticoncepcionais não acompanhou o aumento do número de usuárias de planejamento familiar, resultando em suprimento deficiente em 4 dos 9 distritos (114). Se o suprimento de anticoncepcionais continuar irregular durante muito tempo, as clientes perdem a confiança no serviço. As clientes têm menor probabilidade de voltar ao serviço quando assumem que seu método escolhido não estará disponível (54, 131).

Os programas de planejamento familiar podem usar uma variedade de técnicas para manter um fornecimento contínuo de ACOs. Elas incluem a administração de depósitos e controle da distribuição, previsão de produtos básicos, planejamento dos recursos de distribuição e tecnologia de informação de logística. O essencial é calcular o número ideal de suprimentos a pedir, de forma a reduzir o desperdício, operar mais eficientemente e garantir o acesso (54, 131). A falta de estoque de pílulas de somente progestogênio em pontos de prestação de serviço em Malávi reduziu-se de cerca de 80%, em 1998, a 10% em 1999, depois de implantado um sistema de informação de logística e distribuição em campo (54).

Como conseguir um uso mais eficaz

Mais de 100 milhões de mulheres do mundo inteiro dependem dos anticoncepcionais orais para satisfazer suas necessidades de planejamento familiar. Com um apoio adequado em termos financeiros e de políticas, os programas e prestadores de serviços de planejamento familiar podem ajudar as mulheres a usar a pílula de forma mais eficaz com as seguintes ações:

  • Aumentando o entendimento da pílula por meio de mensagens veiculadas pelos meios de massa e outros canais de comunicação. Na medida em que as mulheres obtenham mais informação, elas terão melhores condições de tomar decisões informadas sobre sua saúde reprodutiva, de escolher um método anticoncepcional que satisfaça suas necessidades e de usar este método de forma eficaz e satisfatória.
  • Melhorando a capacidade dos serviços de informar e orientar as mulheres sobre a pílula. Quando os serviços e profissionais podem comunicar de uma forma clara como usar a pílula e, em particular, como controlar os efeitos colaterais e compensar por pílulas não tomadas, as clientes passam a usar a pílula de forma melhor e mais permanente.
  • Tornando os ACOs e outros métodos mais facilmente disponíveis. Quanto menos barreiras as mulheres enfrentarem para obter a pílula, tanto para iniciar como para continuar o uso, mais elas poderão confiar na pílula como forma de evitar a gravidez.

Quarenta anos após a introdução da pílula, os programas e profissionais envolvidos no planejamento familiar dispõem do conhecimento, habilidade e experiência para ajudar as mulheres a usar os ACOs de forma eficaz e atingir suas metas de planejamento familiar, melhorar sua saúde reprodutiva e reduzir o número de gravidezes não intencionais. Ao ajudar as mulheres a usar a pílula, contribui-se à segurança, eficácia e satisfação das usuárias, tanto agora como no futuro.

Veja figura

Um novo cartaz denominado "Você conhece suas opções de planejamento familiar?" acompanha as cópias deste número de Population Reports que é enviado por correio aos assinantes regulares em países em desenvolvimento. Este novo cartaz atualiza e substitui um cartaz semelhante distribuído pela primeira vez em 1997. Ao pedir cópias adicionais, favor pedir o cartaz e este número de Population Reports separadamente.

Population Reports is published by the Population Information Program, Center for Communication Programs, The Johns Hopkins School of Public Health, 111 Market Place, Suite 310, Baltimore, Maryland 21202-4012, USA

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