Especialista apresenta as novas opções para o tratamento da fibrilação atrial
03 de dezembro de 2010
Equipe Editorial Bibliomed
Equipe Editorial Bibliomed
03 de dezembro de 2010 (Bibliomed). Em palestra proferida em dezembro no XXVII Congresso Brasileiro de Arritmias Cardíacas, o médico Francisco Darrieux, do Ambulatório de Arritmias Cardíacas da USP, fez uma revisão acerca das novas opções de tratamento, principalmente farmacológico, da fibrilação atrial - arritmia cardíaca que afeta um a cada 25 adultos acima dos 60 anos, e um em 10 adultos acima dos 80 anos nos Estados Unidos.
De acordo com o especialista, a fibrilação atrial segue sendo a causa mais frequente de admissões hospitalares por arritmias entre os americanos. E as estratégias atuais de abordagem incluem o controle do ritmo e o controle da frequência; a prevenção de fenômenos tromboembólicos; e a redução dos desfechos - internação, morte, tromboembolismo.
Em relação à anticoagulação oral, o pesquisador destaca que, há muito, têm sido procuradas alternativas para seu uso. Uma delas seria o uso da associação de aspirina com clopidogrel. A aspirina isoladamente não teria o mesmo tipo de ação que a varfarina, entretanto, segundo o autor, ao se associar a ela o clopidogrel, observa-se uma maior taxa de episódios hemorrágicos graves, inclusive com AVC hemorrágico.
Uma nova opção de tratamento anticoagulante, recentemente aprovada pelo FDA (órgão do governo americano que controla alimentos e medicamentos), é a dabigatrana - medicamento com meia vida mais curta (12 a 17 horas). Comparando a dabigatrana (usada nas doses de 110 mg duas vezes ao dia e de 150 mg duas vezes ao dia) à varfarina, o estudo RELY demonstrou que o primeiro medicamento teve ação semelhante ao da heparina na dose de 110 mg duas vezes ao dia - porém, com um melhor perfil de segurança -, e foi melhor que a varfarina na dose de 150 mg.
De acordo com o pesquisador, nos pacientes que não podem usar anticoagulante oral, preconiza-se a oclusão por cateter do apêndice atrial esquerdo (estudo Protect-AF, 2009). E, em relação ao tratamento da fibrilação atrial enquanto arritmia, está sendo introduzido o Vernakalant por via intravenosa - medicamento usado na fibrilação atrial aguda que tem uma ação rápida e é mais eficaz que a amiodarona intravenosa.
Outra opção de medicação introduzida recentemente e citada no Congresso foi a dronedarona. Segundo o especialista, essa droga apresenta um bom perfil de desempenho (controle da frequência e controle do ritmo); é melhor usada na dose de 400 mg duas vezes ao dia; e sua maior vantagem é a de não ter efeito colateral em longo prazo. No estudo clássico da dronedarona - o ATHENA -, o medicamento reduziu a mortalidade cardiovascular em 24% em relação ao placebo; reduziu a taxa de hospitalização cardiovascular não relacionada à fibrilação atrial; e reduziu a taxa de AVC, possivelmente pela menor interação com medicamento anticoagulante oral.
“Se comparada com a amiodarona, pode-se dizer que a dronedarona é menos efetiva, porém tem uma menor quantidade de efeitos colaterais”, destacou o especialista, citando, ainda, durante a palestra, outros medicamentos, mas de uso mais específico. Entre esses, foi destacada a disopiramida, que pode ser usada para a fibrilação atrial com mediação vagal.
Fonte: XXVII Congresso Brasileiro de Arritmias Cardíacas. 1º de dezembro de 2010. Arritimia Clínica - Megacurso Interativo para o Clínico.
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