Dronedarona e outras drogas antiarrítmicas usadas na fibrilação atrial - quais os pontos fortes e fracos de cada uma?

15 de março de 2010
Equipe Editorial Bibliomed

15 de março de 2010 (Bibliomed).  Uma revisão detalhada de todas as drogas usadas no tratamento da fibrilação atrial - tipo de arritmia cardíaca mais comum -, com ênfase na recém-aprovada droga dronedarona - assim foi a conferência do Dr. Peter N. Smith, da Universidade de Wisconsin em Madison, durante o 59º Congresso do American College of Cardiology, realizado no período de 14 a 16 de março de 2010 em Atlanta, Estados Unidos. O especialista iniciou sua apresentação com lembranças do passado da fibrilação atrial, destacando que, antes do advento do eletrocardiograma, a condição era conhecida por “palpitações rebeldes”, “delirium cordis” e “pulsus irregularis perpetusus”.

A dronedarona é um derivado benzofurano da amiodarona, mas que não possui os mesmos efeitos nos pulmões e na tireoide apresentados pela amiodarona. Apresenta um aumento da solubilidade na água e uma diminuição da meia-vida. É usada na dose de 400 mg duas vezes ao dia por via oral, e seu início de ação se dá de três a seis horas, com a concentração de plasma de pico sendo encontrada também de três a seis horas. Os níveis de estado de equilíbrio, por sua vez, são atingidos de quatro a oito dias. Além disso, apresenta um metabólito ativo - a N-debutil dronedarona -, e 84% do medicamento é excretado nas fezes, como um metabólito.

Esse medicamento antiarrítmico apresenta os seguintes efeitos colaterais: náusea; diarreia; bradicardia; prolongamento do QT; elevação da creatinina. E Interage com as drogas que prolongam o QT; com inibidores do metabolismo (azoles, macrolídeos, inibidores da protease); com indutores do metabolismo (rifamicina, erva São João, antiepiléptico como a carbamazepina, ciclosporina); e estatinas (especialmente atorvastatina).

Os principais estudos que analisaram o medicamento foram Dafne, Euridis, Adonis, Athena, Andromeda, Piccini meta-análise, com apenas uma meta-análise indireta comparando a dronedarona e a amiodarona. Muitos desses estudos, segundo o especialista, indicaram que a dronedarona não deve ser usada em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva e com função sistólica de ventrículo esquerdo reduzida.

Após resumir todos os estudos referentes à dronedarona, e revisar detalhadamente todas as outras drogas antiarrítmicas usadas na fibrilação atrial, o Dr. Smith concluiu que este é um novo medicamento para o tratamento da fibrilação atrial com um risco pro-arrítmico favorável, comparável com outras drogas antiarrítmicas, e tem seu lugar no tratamento desta arritmia em pacientes sem insuficiência cárdica e disfunção ventricular esquerda. 

Fonte: 59º Congresso do American College of Cardiology, 14 a 16 de março de 2010, Atlanta, Estados Unidos.

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