Os bebês "falam", não "fazem barulho"

09 de setembro de 2002
Equipe Editorial Bibliomed

09 de Setembro de 2002 (Bibliomed). Os sons pré-vocálicos emitidos por bebês representam uma tentativa genuína de fala, e não apenas um treinamento para movimentação e uso do aparelho fonador. Pesquisadores do Dartmouth College em Hanover, New Hampshire e McGill University em Montreal, Canadá, descobriram que o balbucio dos bebês seguia o mesmo padrão de movimentação observado nos adultos, indicando que a área da fala estava sendo utilizada durante a produção dos sons.

O hemisfério cerebral esquerdo geralmente abriga a área da fala. Nos adultos esta especialização pode ser observada pela observação do padrão de movimentação da boca: os adultos movimentam primeiro o lado direito da face ao falar, significando que o impulso surge no hemisfério cerebral esquerdo.

Este padrão também é observado em bebês, sugerindo que os impulsos para a vocalização surgem no hemisfério cerebral responsável pela fala. Na verdade, o balbucio representa o início da capacidade de produção de linguagem em humanos, ao invés de simplesmente o desenvolvimento motor da musculatura oral.

O estudo, conduzido pelos pesquisadores Dra. Laura Ann Petitto e Siobhan Holowka e publicado na revista Science, definiu como balbucio a repetição de sons ouvidos na linguagem adulta, sem indicação de que a palavra tenha um significado particular.

Para examinar o motivo que leva os bebês a balbuciar, os pesquisadores filmaram 10 lactentes com idade entre 5 e 12 meses de lares que falavam francês ou inglês. Analisadores independentes assistiram às filmagens e determinaram se as crianças apresentavam padrão de abertura da boca – abrir um dos lados da boca primeiro do que o outro – durante as vocalizações. Eles concluíram que os bebês abriam primeiro o lado direito da boca com mais freqüência do que o lado esquerdo quando balbuciavam, e mais o lado esquerdo quando sorriam, ou os dois lados ao mesmo tempo quando emitiam sons que não o balbucio.

Segundo os pesquisadores, estes dados sugerem que a linguagem é lateralizada no cérebro em uma fase bastante precoce do desenvolvimento. Além disto, pareceu que o ato de sorrir dos bebês, assim como em adultos, é governado pelo hemisfério cerebral direito, sede das emoções em adultos.

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