Possível base fisiológica para a gagueira

13 de agosto de 2002
Equipe Editorial Bibliomed

13 de Agosto de 2002 (Bibliomed). Um estudo recente mostra que um defeito estrutural no hemisfério cerebral esquerdo pode desempenhar um papel na gagueira, através de exames de ressonância nuclear magnética. Pesquisadores de duas universidades alemãs, em publicação na revista The Lancet, relatam que a gagueira crônica parece ser resultado de um lapso nas conexões do hemisfério cerebral esquerdo, e para confirmar isto compararam exames de ressonância nuclear magnética de 15 indivíduos com gagueira persistente e 15 indivíduos com fala normal.

Segundos os estudos de imagem, as estruturas cerebrais de uma região no hemisfério esquerdo foram significativamente diferentes entre indivíduos gagos e indivíduos com fala normal. Estas diferenças nos tratos nervosos poderiam explicar a ruptura da sincronia entre a geração do sinal de fala e as respostas musculares responsáveis pela fonação, levando à perda da fluidez na fala.

O Dr. Cornelius Weiller, diretor do instituto de neurologia da University of Hamburg, coordenador do estudo, mostra que nos gagos existe uma via pouco desenvolvida, ou inexistente, conectando as áreas da fala com as áreas motoras da boca. Até agora, segundo ele, a gagueira era atribuída a uma hiperatividade do hemisfério cerebral direito e este é o primeiro estudo a sugerir um problema radicado no hemisfério esquerdo.

Segundo os pesquisadores, é possível que alterações estruturais surjam durante o desenvolvimento da linguagem inicial e aquisição da fala na primeira infância. Estas alterações, ao que parece, podem ser transitórias ou permanentes, o que poderia ser a base para diferenciar indivíduos que são gagos na infância, mas se tornam indivíduos com fala normal e outros que mantém o padrão de gagueira durante a idade adulta.

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