Pesquisas sobre câncer de mama avançam

23 de agosto de 2001
Equipe Editorial Bibliomed

Belo Horizonte, 23 de Agosto de 2001 (Bibliomed). Uma pesquisa financiada pela empresa farmacêutica SignalGene conseguiu identificar um gene que pode ter ação protetora contra o câncer de mama. O trabalho foi realizado no Quebec/Canadá, por uma equipe de cientistas do Hospital São Francisco de Assis da Universidade de Laval e divulgado na revista Cancer Research.

Em mais de 700 mulheres, desde 1999, foram avaliadas as variantes de um gene conhecido. Em cerca de 15% delas foi encontrado um gene que codifica um receptor androgênico (AR). A presença desse gene reduziu em 50% os riscos de desenvolvimento do câncer de mama esporádico, responsável por 90% dos casos da doença.

Se a continuidade das pesquisas apresentar os resultados esperados, os cientistas apostam em uma possibilidade de redução do número de casos de 40% e a melhoria dos diagnósticos. O laboratório farmacêutico afirma que tem o direito de exclusividade na futura comercialização da descoberta.

Mesmo assim, a droga não deve estar disponível em menos de dez anos. As pesquisas bancadas pela SignalGene devem custar cerca de US$ 325 milhões. Uma das intenções da empresa é conseguir o apoio da Shire ou da GlaxoSmithKline.

Os testes clínicos da pesquisa devem começar nos próximos cinco anos, com um grupo de 1.200 pacientes portadoras da doença e 2 mil mulheres saudáveis. Os pesquisadores querem confirmar o papel do gene descoberto e ainda identificar outros genes envolvidos na forma esporádica da doença.

Um estudo anterior de pesquisadores finlandeses comprova que as pacientes com câncer de mama com predisposição genética para a doença têm a mesma chance de sobrevivência do que as demais que também desenvolvem a doença.

No trabalho, foram pesquisadas mais de 350 pacientes. Os resultados foram comparados às taxas de sobrevivência de outras pacientes com câncer de mama diagnosticadas na Finlândia ao longo de mais de 40 anos.

O câncer de mama também é o tema de um acordo entre o Zeltia – grupo espanhol de biotecnologia – e a Johnson&Johnson. As duas empresas anunciaram que vão desenvolver e comercializar, juntas, o componente anticancerígeno ET-743.

O componente é baseado em organismos marinhos e vem sendo testado clinicamente pelo Zeltia. Os resultados foram positivos em pacientes com câncer de mama e com sarcomas.

Com o acordo, a filial do Zeltia, PharmaMar, vai poder desenvolver o produto com a Ortho Biotech e comercializá-lo sozinho no continente europeu. À filial da Johnson&Johnson caberá a comercialização do componente nos Estados Unidos, Japão e outros países fora da Europa.

O ET-743 é elaborado a partir de uma molécula do invertebrado marinho Ecteinascidia turbinata, encontrado nas águas profundas do Caribe e do Mar Mediterrâneo.

O Zeltia possui, atualmente, 20 mil organismos marinhos congelados. A meta do grupo espanhol é lançar um componente anticancerígeno a cada dois anos.

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