Internet, fonte de pesquisa para a saúde

Jornal Hoje em Dia - Medicina & Saúde. 23 de janeiro de 2008.

Renato Pena
REPÓRTER

A informação, a oferta de serviços e a venda de produtos médicos na Internet têm o potencial de promover a saúde, mas também podem causar danos aos internautas, usuários e consumidores. Segundo levantamento do Ibope/Net Ratings, todos os meses, 4 milhões de internautas brasileiros acessem os sites de saúde. De acordo com especialistas, a ferramenta, se bem usada, é importante e pode beneficiar o paciente e somar ao tratamento de diversas doenças. Porém, quando a informação não está correta, o efeito pode ser contrário.

Kamilla Avelar, 24 anos, conta que tem o costume de buscar dados sobre saúde na Internet. «Com essa onda de febre amarela, procurei sobre os sintomas, forma de contágio e prevenção da doença», disse. Para não entrar em páginas eletrônicas com informações erradas e desatualizadas, ela elegeu o site da Unimed e do Ministério da Saúde como favoritos. «Na Unimed, tem muitos artigos interessantes e o Ministério da Saúde é bom para pesquisas sobre problemas atuais», esclarece.

Kamilla Avelar busca dados sobre saúde na Internet Para não correr riscos no Verão, Kamilla disse que procurou informações de como se proteger dos malefícios causados pelo excesso de sol. «Eu não saio de casa mais sem protetor solar. Passo em todas as partes do meu corpo que ficam visíveis, inclusive no pé. Com as informações, eu passei a ter mais cuidado». Ela também usa as dicas da Internet para ajudar as pessoas. «Esses dias o pai de uma amiga descobriu que estava com o Mal de Alzheimer. Para ajudá-la, pesquisei sobre a doença», disse.

Para o coordenador do Centro de Tecnologia Educacional em Saúde da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Cláudio Souza, o problema são as pessoas que estão acessando páginas e não têm conhecimento para saber quais sites são bons ou ruins. «Isso é complicado, muitas vezes, o site não tem caráter oficial. Para a informação ser válida, ela tem que ter fundamento científico, com a citação de fontes», disse.

Segundo Souza, muitas vezes, o paciente entra num site e, como a informação não está correta, ele cobra do médico que o tratamento, por exemplo, seja o mesmo que ele leu. «A pesquisa tem que servir para acrescentar. O médico é que tem a formação técnica para entender o que está escrito e qual o melhor tratamento para a doença», esclarece. Para ele, mesma quando a fonte é boa e o texto está correto, o leigo pode mudar o tratamento baseado na informações colhidas na Internet. «As pessoas podem interromper o tratamento e desconfiar do médico, por algum artigo da Internet. Às vezes, o que ele leu não é indicado ao caso. O médico é quem vai esclarecer isso», disse.

Um outro exemplo de como é importante a troca entre o médico e o paciente é a forma como o doente vai lidar com a informação. «Ele vê que a doença tem índice de mortalidade elevado e apavora. Só o médico poderá acalmá-lo», disse. De qualquer forma, para Cláudio é importante que os leigos tenham informação sobre medicina. «Os médicos têm que estar abertos para essa discussão com o paciente. Aceitar que o indivíduo também busque essa informação», disse. Souza ressalta que o o objetivo da medicina é a cura e, por isso, tudo que pode ajudar nisso deve ser usado. «A informação pode vir de onde for, mas precisa ser vista com o olhar crítico, bom senso e critério de competência. O médico tem que estar aberto para que o paciente faça sua pesquisa», diz.

Site tem que indicar contatos

Atualmente, os sites de saúde recebem um número muito grande de acessos. «É comum, quando um familiar ou a própria pessoa têm uma doença, pesquisar sobre ela na Internet», disse o coordenador do Centro de Tecnologia Educacional em Saúde da UFMG, professor Cláudio Souza. Segundo ele, é possível encontrar desde páginas altamente científicas, de nível excelente, até sites puramente comerciais, com o intuito único de vender produtos. «Tem de tudo na Internet», disse. Para não cair em nenhuma armadilha, o professor alerta para o usuário ficar atento se, no endereço, tem o contato de algum médico que se responsabiliza pela informação que está sendo publicada. «Dessa forma, se tiver algo errado, tem alguém que pode responder pelo dano sofrido pelo internauta», disse.

O Conselho de Medicina de São Paulo publicou uma resolução com normas e critérios para a publicação de sites com informação de saúde. «Serve de parâmetro para todo o Brasil», disse Souza. Há nove anos, o professor da Faculdade de Medicina e diretor da Bibliomed, empresa responsável pelo site «Boa Saúde», Marco Túlio Baccarini Pires, mantém um site com dicas de prevenção, artigos de orientação, novidades e especiais de saúde. «A equipe é composta por cerca de 20 pessoas, entre médicos, estudantes, residentes e jornalistas. Antes de serem publicados, os conteúdos passam por uma revisão técnica, no sentido da precisão de informação», afirma.

Como forma de dar credibilidade, Baccarini ressalta que, em todas as matérias, as fontes são citadas. «Normalmente são revistas e congressos. Vamos na origem de informação», disse. Como médico, ele é favorável que o paciente já chegue ao consultório com alguma informação sobre a doença. «Dessa forma, facilita muita a conversa», disse. O problema, segundo ele, é quando a informação está errada. «Isso pode gerar um conflito entre o paciente e médico. Existe muita coisa absurda na Internet», disse. Por isso, ele considera importante sempre citar a referência. «O paciente que pesquisa pode chegar com uma proposta de terapia diferente. Mas, o médico, com sua formação técnica e conhecimento, nunca pode ser substituído», afirma.

A média mensal de visitas do site boasaude.com.br é 1,5 milhão. Dos 50 mil usuários cadastrados, 72% são homens entre 25 e 34 anos. Em seguida, com 32%, vêm as pessoas com idade entre 35 e 49 anos. Entre 18 e 24 anos são somente 18% dos usuários e, acima de 50 anos, 15%. Os temas mais procurados são saúde da mulher, diabetes, nutrição e dietas.

Site confiável

O que deve apresentar

- É imprescindível que apresente um nome de um médico responsável pelas informações. Os profissionais devem obedecer os mesmos códigos e normas éticas regulamentadoras do exercício profissional convencional

- A informação de saúde apresentada deve ser exata, atualizada, de fácil entendimento, em linguagem objetiva e cientificamente fundamentada

- Produtos e serviços devem ser apresentados e descritos com exatidão e clareza

- Dicas e aconselhamentos em saúde devem ser prestados por profissionais qualificados, com base em estudos, pesquisas, protocolos, consensos e prática clínica

- Deve estar visível a data da publicação ou da revisão da informação, para que o usuário tenha certeza da atualidade do site

- Os sites devem citar todas as fontes utilizadas para as informações, critério de seleção de conteúdo e política editorial, com destaque para nome e contato dos responsáveis

- Os usuários têm o direito à privacidade sobre seus dados pessoais e de saúde.

- Os sites devem deixar claro seus mecanismos de armazenamento e segurança para evitar o uso indevido de dados

- O internauta deve ter acesso ao arquivo de seus dados pessoais, para fins de cancelamento ou atualização dos registros

- Alguém ou alguma instituição tem que se responsabilizar, legal e eticamente, pelas informações, produtos e serviços de medicina e saúde divulgadas na Internet

- As informações devem utilizar como fonte profissionais, entidades, universidades, órgãos públicos e privados e instituições reconhecidamente qualificadas

DICAS DE SITE

- Sociedade Brasileira de Cardiologia - http://prevencao.cardiol.br
- Portal da Hepatite - http://www.portaldahepatite.com.br
- Boa Saúde - http://www.boasaude.com.br
- Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica - http://www.sboc.org.br
- Ministério da Saúde - http://www.saude.gov.br/cidadao
- Portal da Saúde - http://www.saude.com.br
- ABC da Saúde - http://www.abcdasaude.com.br
- Sociedade Brasileira de Pediatria - http://www.sbp.com.br

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