Terapia com cateter-dirigido a trombólise diminui o risco de síndrome pós-trombótica
13 de dezembro de 2011
Equipe Editorial Bibliomed
Equipe Editorial Bibliomed
13 de dezembro de 2011 (Bibliomed). Estudo realizado pela Universidade de Oslo, na Noruega, e apresentado no 2011 ASH Annual Meeting – American Society of Hematology, que ocorreu de 10 a 13 de dezembro em San Diego, nos Estados Unidos, mostrou que o uso do trombólise dirigida por cateter, quando comparado à terapia padrão, reduziu significativamente o risco de síndrome pós-trombótica (PTS) em 24 meses, em pacientes com trombose venosa profunda (TVP).
A trombose venosa profunda aguda dos membros inferiores ocorre em aproximadamente uma em cada mil pessoas por ano, e está associada a taxas de morbidade significativas. Geralmente, o tratamento com anticoagulante envolve o uso de doses baixas de heparina por 10 dias e o uso da warfarin por, em média, três meses, embora alguns pacientes possam necessitardouso de anticoagulantes pelo resto da vida. Mesmo com o tratamento anticoagulante e o uso de meias de compressão para os casos de TVP proximal aguda, aproximadamente um em cada quatro pacientes estão em risco para o desenvolvimento da PTS.
“As diretrizes atuais recomendam o uso de terapia anticoagulante no tratamento da TVP, o que é realmente eficiente para conter o crescimento da trombose, mas não para dissolver o coágulo”, diz Dr. Per Morten Sandset, da Universidade de Oslo. "Isto significa que um grande número de pacientes apresentará trombose venosa residual após o tratamento. A maioria dos pacientes terá, também, danos nas válvulas, o que leva, com o passar dos anos, ao surgimento da PTS, que se caracteriza por dor, edema em membros inferiores, cólicas, eczema, e, em alguns casos, graves úlceras venosas".
O estudo envolveu 209 pacientes com TVP íliofemoral, dos quais foram randomizados 108 para uso de placebo e 101 a trombólise guiada por cateter em até 21 dias desde o início dos sintomas. Após 24 meses, 37 pacientes tratados com trombóliseguiada por cateter, além da anticoagulação, haviam desenvolvido PTS, número que subiu para 55 no grupo controle (41,1% vs 55,6%, p = 0,047). A redução absoluta em eventos de PTS aumentou de 14,5% para 17,0%. Em menos de seis meses, a patência íliofemoral foi observada em 58 pacientes tratados com trombólise em comparação a 45 pacientes no grupo controle (65,9% vs 47,4%, p = 0,012).
Segundo os pesquisadores, os benefícios do tratamento contrastam com risco aumentado de hemorragia. No geral, 20 pacientes tratados com trombólise tiveram eventos hemorrágicos, incluindo três maiores e cinco sangramentos clinicamente relevantes. Não houve mortes, tromboembolismo pulmonare ou hemorragias cerebrais relacionadas à trombólise. Dr. Sandset ressalta que, dos três eventos hemorrágicos, dois foram o resultado do procedimento, incluindo um que resultou do sítio de punção na veia poplítea. Contudo, o especialista lembra que o estudo foi realizado em quatro clínicas na Noruega e nem todos os médicos estavam familiarizados com a técnica, o que explicaria os eventos hemorrágicos.
O especialista diz que o treinamento da equipe é a chave para o sucesso da terapia com trombólise guiada por cateter. "Se você tem pessoal treinado, radiologistas que podem fazer o procedimento, e um paciente com trombose extensa, na coxa e até nas veias ilíacas, e um baixo risco de sangramento, então a minha recomendação é que estes pacientes também recebam a terapia com trombólise guiada por cateter”, diz.
Fonte: Tema apresentado no 53rd Annual Meeting of the American Society of Hematology.


