Determinando a eficácia do tratamento de imunoterapia para alergia ao feno

06 de dezembro de 2011
Equipe Editorial Bibliomed

06 de dezembro de 2011 (Bibliomed). O único tratamento que pode alterar o curso de uma doença alérgica é a imunoterapia corretamente prescrita, onde o alergênico responsável pelos sintomas do paciente é especificamente identificado. Esse tratamento é administrado através de uma série de injeções ou por administração em gotas sublinguais, porém existe a possibilidade de que ocorram eventos adversos, além de exigir a aderência do paciente por um longo período de tempo. Assim, identificar precocemente quais pacientes podem se beneficiar desse tipo de tratamento e monitorar precocemente a eficácia da imunoterapia é um objetivo importante para profissionais dessa área.

Mohamed Shamji e uma equipe de pesquisadores da Imperial College em Londres (Inglaterra) publicaram um estudo em colaboração com o Immune Tolerance Network (EUA). Os pesquisadores analisaram amostras de sangue de pacientes alérgicos a pólen de feno, que havia sido incubado com um extrato de erva dos prados. A imunoterapia com o pólen da gramínia está associada a redução de sintomas, da necessidade de medicações de resgate e melhora de qualidade de vida de pessoas que sofriam de polinose sazonal grave. Apesar de a supressão da resposta alérgica precoce em seguida ao teste cutâneo de provocação in vivo estar associada à inibição de liberação histamínica pelos basófilos, os efeitos da imunoterapia na reatividade de basófilos ainda não são totalmente compreendidos. A hipótese dos pesquisadores é que a reatividade dos basófilos, determinada pelo aumento da expressão dos marcadores de superfície de ativação CD203c, CD63 e CD107a em basófilos CRTH2+ é aumentada em pacientes alérgicos a pólen de feno após estimulação alergênica in vitro, e que essa hiperreatividade é reduzida em pessoas tratadas com imunoterapia.

Um aumento dependente de dose na proporção dos basófilos CD203c+, CD63+ e CD107a+ CRTH2+ foi observado após a estimulação com pólen de feno in vitro em alérgicos mas não em controles não-atópicos. Os pesquisadores concluíram que a reatividade de basófilos e a liberação de histamina estão significativamente reduzidas após a imunoterapia com pólen de feno, mas estudos mais aprofundados sobre o uso de marcadores de superfície de ativação CD203c, CD63 e CD107 em basófilos para o monitoramento clínicos são necessários.

O professor Giovanni Passalacqua, da Universidade de Gênova (Itália), disse que “a busca por um marcador biologicamente confiável do efeito da Imunoterapia Específica (IE) tem sempre sido uma prioridade em pesquisa. Neste estudo, os autores identificaram uma característica funcional de células efetoras que parece ser capaz de distinguir pacientes alérgicos de não-alérgicos, que é claramente influenciada pela IE. Implicações possíveis dessa abordagem podem ser a identificação apropriada de pacientes elegíveis para a IE e a detecção precoce desse efeito”.

A pesquisa foi apresentada no XXII World Allergy Congress, que aconteceu entre os dias 4 e 8 de dezembro em Cancún, no México.

Fonte: XXII World Allergy Congress, abstract 4196.

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