O Uso de Café Está Ligado a Risco Reduzido de Doença de Parkinson
17 de novembro de 2000
Equipe Editorial Bibliomed
Equipe Editorial Bibliomed
Anthony J. Brown, MD
WESTPORT, CT (Reuters Health). Beber café pode reduzir o risco de doença de Parkinson, de acordo com um estudo recente realizado por pesquisadores da Mayo Clinic em Rochester, Minnesota. O motivo para esta associação não é conhecido, mas o estudo adverte que isto “não quer dizer que o café tem um efeito protetor direto contra a doença de Parkinson”.
Em um artigo publicado na Neurology, o Dr. Demetrius M. Maraganore e colaboradores identificaram 196 indivíduos que desenvolveram doença de Parkinson (DP) entre 1976 e 1995. “Cada caso foi individualmente pareado por idade e sexo com um indivíduo da população controle geral” que “não tinham DP, outros parkinsonismos, ou tremores de qualquer tipo”. Os arquivos médicos de todos os indivíduos foram revisados para extrair informações de exposição.
Os pesquisadores encontraram que o uso de café foi significativamente mais comum em indivíduos controles do que nos casos. Os pesquisadores observaram “uma tendência de risco significativamente reduzido com o aumento do número de xícaras por dia”. Além disto, os pacientes com DP que tomavam café experimentaram um início mais tardio da doença do que aqueles que não tomavam. Estes resultados, mencionam os autores, concordam com outros estudos que demonstraram uma associação inversa entre o uso de café e a DP.
“A associação inversa com o café permanece significativa após ajuste para educação, tabagismo e uso de álcool e foi restrita a casos de DP com início em idade menor do que 72 anos e em homens”, declaram os autores.
Uma associação entre DP e tabagismo também foi demonstrada. O uso de fumo mascado ou cheirado (rapé) foi “significativamente mais comum em indivíduos controles do que nos casos”. A associação com o tabagismo foi similar, mas não atingiu significância estatística.
Além disto, significativamente mais alcoólatras foram identificados entre os indivíduos controles do que entre os pacientes com DP. Apesar de estudos prévios terem demonstrado uma relação entre o consumo de álcool e um risco mais baixo de DP, não foi observada nenhuma associação no estudo.
Os pesquisadores sugerem que uma personalidade pré-mórbida, intolerância a estimulantes ou déficit olfatório subjacente pode explicar o baixo uso de estimulantes vistos em pacientes com DP. Outra possibilidade, os autores mencionam, é que o uso de café, fumo e bebidas alcoólicas podem apresentar um efeito protetor direto contra DP.
A cafeína foi demonstrada em alguns estudos como capaz de bloquear receptores de adenosina. “Curiosamente, o receptor A-2A da adenosina modula o sistema dopaminérgico nigrostriatal, e antagonistas do receptor têm sido propostas como terapia de DP”, relatam os autores.
“O que fala contra uma associação causal entre o café, o fumo e possivelmente o álcool e a DP é a falta de especificidade. A cafeína, a nicotina e o álcool têm efeitos farmacológicos ou metabólicos diferentes no cérebro”, declaram os autores.
Localizado para uma entrevista, o Dr. Maraganore disse à Reuters Health que um estudo no início deste ano mostraram resultados similares. Muitos pacientes perguntaram se eles deviam consumir mais café, disse ele. O Dr. Maraganore enfatiza que nós devemos ver o quadro como um todo e não simplesmente achar que o café previne a DP.
Neurology 2000;55:1350-1358.
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Sinopse preparada por Reuters Health

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