Dobra cutânea do tríceps é melhor que IMC como preditor de mortalidade na insuficiência cardíaca, diz estudo

28 de setembro de 2010
Equipe Editorial Bibliomed

28 de setembro de 2010 (Bibliomed). Embora o índice de massa corporal (IMC) seja a medida antropométrica mais utilizada na prática clínica para avaliação nutricional de pessoas com insuficiência cardíaca, a dobra cutânea do tríceps (DCT) parece ser o melhor preditor de mortalidade nesses pacientes, segundo estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul apresentado em setembro no Congresso Brasileiro de Cardiologia.

De acordo com os autores, em indivíduos sem doença cardiovascular, um IMC elevado está associado com um risco aumentado de morte; e, em pacientes com insuficiência cardíaca, ao contrário, um baixo IMC tem sido associado com aumento da mortalidade. Entretanto, “o valor prognóstico de outros parâmetros nutricionais na insuficiência cardíaca permanece relativamente inexplorado”.

Para avaliar a relação de alguns desses parâmetros nutricionais com o risco de internação e mortalidade na insuficiência cardíaca, os pesquisadores estudaram, consecutivamente, 388 pacientes (67%, homens; e idade média de 61 ±13anos) atendidos no ambulatório do Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Foram analisados dados antropométricos de peso, altura, circunferência abdominal e dobra cutânea do tríceps durante a consulta de rotina. E, no seguimento médio de 9,2 meses, a taxa de óbitos registrada foi de 4,6%, e a de internações por insuficiência cardíaca foi de 20%.

As análises mostraram que, entre os parâmetros avaliados, a dobra cutânea do tríceps (DCT) seria o melhor preditor de mortalidade na insuficiência cardíaca. De acordo com os pesquisadores, em relação ao IMC, apenas 1,8% foram classificados como desnutridos, enquanto essa prevalência foi de 18,9% de acordo com as análises de dobra cutânea. E, no grupo de desnutridos pelo IMC não houve óbitos, enquanto a pesquisa registrou a morte de 11% dos desnutridos pela DCT.

“Dos 18 óbitos, oito pacientes (44%) eram desnutridos pela DCT. Enquanto o IMC e a circunferência abdominal não apresentaram associação com risco de internações e mortalidade, a DCT esteve associada a um maior risco de morte”, destacaram os autores, acrescentando que a DCT foi de 14,7 ± 8 cm nos sobreviventes, enquanto o resultado para os casos de óbito foi de 9,9 ± 3,3 cm.

Fonte: 65º Congresso Brasileiro de Cardiologia. Tema livre 18411. 28 de setembro de 2010.

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