Trombose de stent é infrequente, mas apresenta grave impacto clínico, indica estudo
23 de julho de 2010
Equipe Editorial Bibliomed
Equipe Editorial Bibliomed
23 de julho de 2010 (Bibliomed). A trombose de stent ocorre em apenas 1% dos casos, mas apresenta elevada taxa de mortalidade e re-trombose, segundo estudo apresentado neste mês no Congresso da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista. “A trombose de stent tem sido descrita como um evento infrequente na fase atual da cardiologia intervencionista, entretanto, seu impacto clínico pode ser catastrófico, com elevadas taxas de mortalidade”, destacaram os pesquisadores do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia em artigo publicado na Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva.
Os resultados da análise de 1,6 mil pacientes - incluindo aqueles tratados com stent não-farmacológico - indicaram uma taxa de trombose de stent definitiva de 0,9% em um ano, tendo como preditores a apresentação clínica inicial de infarto do miocárdio com choque cardiogênico, fluxo coronário TIMI 0/1 pré-intervenção, e intervenção coronariana prévia. “A maioria de trombose de stent foi subaguda e associou-se a elevada mortalidade cardíaca (27%) e re-trombose (20%)”, ressaltaram os pesquisadores.
No estudo, foram avaliados pacientes consecutivamente submetidos à intervenção percutânea (eletiva e emergência) no período entre dezembro de 2007 e dezembro de 2008 em um centro único terciário onde o uso de stent não-farmacológico representa a rotina do serviço. “Nós reportamos o seguimento clínico de 12 meses, com ênfase nos preditores e na evolução dos pacientes acometidos por este sério evento adverso”, explicaram os autores.
Com as análises, os pesquisadores observaram que, entre os 14 pacientes que evoluíram com trombose de stent (todas definitivas), a grande maioria era do sexo masculino (70%) com idade média de 69 anos; 57% eram diabéticos, e 57% foram tratados em vigência de infarto agudo do miocárdio com supra de ST (ATC primária ou resgate). Os resultados indicaram também que a artéria descendente anterior foi o vaso mais frequentemente envolvido (57.14%).
De acordo com os autores, 79% dos casos de trombose de stent ocorreram nos primeiros 30 dias do procedimento. E os pacientes que tiveram essa complicação apresentaram mais intervenções prévias (73%, contra 15% daqueles sem trombose de stent), mais fluxo coronário TIMI 0/1 pré-intervenção (87%, contra 1%), e mais apresentação clínica inicial de infarto com choque cardiogênico (29%, contra 0.82%).
Os pesquisadores relataram, ainda, que os casos de trombose de stent foram tratados com angioplastia com balão em 57% dos casos, e com um novo stent não-farmacológico em 36%; “Na evolução de um ano, observou-se mortalidade cardíaca de 25% e recorrência de 20% entre esses 14 pacientes avaliados”, concluíram os autores, destacando o grave impacto clínico dessa complicação.
Fonte: Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva. Abril/Maio/Junho de 2010. Suplemento 1. Tema livre 043.
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