Distúrbios de sono podem contribuir para o diabetes gestacional, aponta estudo

27 de junho de 2010
Equipe Editorial Bibliomed

27 de junho de 2010 (Bibliomed).  Os distúrbios de sono durante a gravidez podem aumentar os riscos de a mulher desenvolver o diabetes nesse período da vida, principalmente se a gestante estiver acima do peso ideal, segundo estudo apresentado neste mês no Encontro Científico da Associação Americana de Diabetes. De acordo com os pesquisadores, a gravidez é associada com uma redução na qualidade de sono, e, se isso for determinado por distúrbios respiratórios, há mais chances de as mulheres terem diabetes gestacional - problema associado a piores resultados na gravidez, incluindo bebê com baixo peso e menor estatura.

Para avaliar os padrões de sono e a ocorrência de problemas respiratórios do sono em relação à tolerância à glicose e aos resultados da gestação, pesquisadores americanos estudaram 157 gestantes. Nas análises, os especialistas usaram questionários e escalas de qualidade de sono e de sonolência diurna, além da polissonografia, no momento da triagem (média de idade gestacional de 26 semanas). E os resultados indicaram qualidade ruim de sono na maioria - 92% tinham interrupções no sono -; alto índice de sonolência diurna em 40% das gestantes; e maior risco de distúrbios respiratórios de sono em mais de um quarto das gestantes avaliadas.

De acordo com os pesquisadores, 20% das participantes apresentaram tolerância à glicose anormal - sendo 20 mulheres com diabetes gestacional e 11 com um valor apenas anormal. E essas mulheres, em média, eram mais velhas (30,8+5,6 anos de idade, contra 27,7+5,4 anos), tinham maior índice de massa corporal antes da gravidez (32,3+7,2, contra 27,6+8,1 kg/m2) e maior prevalência de diabetes em um parente de primeiro grau (66,7% vs. 21,6%), comparadas àquelas com tolerância à glicose normal. Entretanto, entre esses dois grupos, não houve diferenças significativas em relação à sonolência diurna, qualidade de sono, duração do sono, humor, risco de distúrbios respiratórios de sono e peso do bebê ao nascer.

Avaliando os padrões de sono daquelas com diabetes gestacional pela polissonografia, os especialistas observaram baixa eficiência do sono e maior índice de apneia do sono. As diabéticas que apresentavam problemas respiratórios de sono apresentavam, ainda, filhos com menor peso ao nascer (3555+208 gm, contra 4033+187 gm das diabéticas sem esses distúrbios).

“A gravidez é associada com uma redução na qualidade de sono e um aumento na sonolência diurna”, destacaram os pesquisadores em apresentação oral no congresso. “Apesar de os questionários não revelarem diferenças na qualidade do sono entre mulheres com tolerância à glicose normal e mulheres com tolerância à glicose anormal, as últimas tiveram prevalência extremamente alta de distúrbios respiratórios do sono na polissonografia”, continuaram os especialistas, acrescentando que “as mulheres com diabetes gestacional e com distúrbios respiratórios do sono tinham recém-nascidos menores do que aquelas sem distúrbios respiratórios”.

Baseados nos resultados, os especialistas recomendam que as gestantes com sobrepeso e obesidade sejam acompanhadas de perto e triadas para o diabetes gestacional e distúrbios como a apneia, a fim de se evitar problemas e resultados adversos para a gravidez.

Fonte: 70th American Diabetes Association's Scientific Sessions. Abstract 0011-OR.

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