Vitaminas C e E usadas isoladamente não alteram a evolução cardiovascular em homens de meia idade
08 de novembro de 2008
Equipe Editorial Bibliomed
Equipe Editorial Bibliomed
08 de novembro de 2008 (Bibliomed). As Vitaminas E e C — suplementos antioxidantes ingeridos por muitos adultos – não protegem contra a doença cardiovascular quando tomadas individualmente, segundo estudo de longa duração com mais de 14 mil médicos do sexo masculino. O Physician’s Health Study II (PHS II) foi apresentado no Congresso American Heart Association’s Scientific Sessions 2008, em New Orleans, Estados Unidos, e publicado simultaneamente na revista JAMA - Journal of the American Medical Association.
Estudos observacionais dão suporte ao papel potencial de antioxidantes, incluindo as vitaminas E e C, na prevenção da doença cardiovascular. Alguns estudos de avaliação da prevenção secundária da vitamina E apresentaram reduções potenciais na doença, enquanto estudos de prevenção primária foram, na maioria das vezes, negativos. Poucos trabalhos de longa duração avaliaram a vitamina C isoladamente na prevenção dessas doenças.
O PHS II testou o uso de suplementos de vitamina E (400 UI a cada dois dias) e de vitamina C (500 mg/dia) no risco de doença cardiovascular no período entre 1997 e 2007, de modo randomizado, duplo-cego, placebo-controlado, em 14.641 médicos norte-americanos do sexo masculino, que, no momento da inclusão, tinham 50 anos ou mais de idade. E o estudo incluiu 754 homens com doença cardiovascular prevalente no momento da randomização.
Os pesquisadores identificaram eventos cardiovasculares de importância (incluindo infarto do miocárdio não-fatal, acidente vascular cerebral não-fatal, e doença cardiovascular fatal) ocorridos antes do término do uso dos componentes de vitamina E e C. Diferentemente dos estudos anteriores, nos quais as vitaminas E e C eram parte de um coquetel antioxidante, este estudo investigou as duas vitaminas individualmente.
Durante um seguimento médio de oito anos entre os homens (idade média basal de 64,3 anos), ocorreram 1.240 eventos cardiovasculares de importância e 1.660 mortes. Comparado ao placebo, a vitamina E não teve efeito na incidência de eventos cardiovasculares de importância, como também no número total de infartos do miocárdio, número total de AVCs, e mortalidade cardiovascular.
Não se observou também efeito significativo da vitamina C em eventos cardiovasculares de importância, no número total de infartos do miocárdio, número total de AVCs, e mortalidade cardiovascular. Nem a vitamina C e nem a vitamina E tiveram qualquer efeito na mortalidade total, porém a vitamina E esteve associada a um risco aumentado de AVC hemorrágico.
Os autores da pesquisa concluíram que não existe fundamentação para o uso de suplementos de vitaminas E e C na prevenção de doenças cardiovasculares em homens de meia idade ou mais velhos.
O estudo foi apresentado no Congresso por J. Michael Gaziano, M.D., M.P.H., Brigham & Women’s Hospital and VA Boston Healthcare System, Boston, Mass.
Fontes: 1. American Heart Association’s Scientific Sessions 2008 - http://americanheart.mediaroom.com/index.php?s=43&item=583
2. JAMA. 2008;300(18):(doi:10.1001/jama.2008.600) - http://jama.ama-assn.org/cgi/content/full/2008.600v1
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