Antibióticos para o tratamento da amigdalite têm eficácia questionável

25 de maio de 2007
Equipe Editorial Bibliomed

25 de maio de 2007 (Bibliomed). Processos inflamatórios e infecciosos da faringe são comuns, principalmente na faixa infanto – juvenil. Estes pacientes, sua maioria, são atendidos na atenção primária de saúde, recebendo medicamentos, em especial antibióticos, para seu tratamento.

Um estudo publicado no BMJ, em março de 2007, procurou avaliar 3 métodos terapêuticos diferentes para o tratamento de dor de garganta: prescrição de antibióticos; prescrição destes somente se há persistência dos sintomas e nenhuma prescrição. A pesquisa foi elaborada por pesquisadores da Faculdade de Saúde, Medicina e Ciências Biológicas da Universidade de Southampton, e, apesar de uma década de publicação, ainda aborda questões observadas no cotidiano da prática médica.

714 pacientes, com idade de 4 ou mais anos, com quadro de amigdalite e sinais anormais na garganta ao exame físico (inflamação das amídalas ou faringe, exsudato purulento, adenopatia cervical) foram selecionadas. Os participantes foram divididos em 3 grupos. O primeiro, composto por 246 pacientes, recebeu antibióticos por 10 dias. O segundo, com 230 pacientes, não recebeu prescrição. Por último, o terceiro, com 238 pacientes, recebeu antibióticos somente quando os sintomas persistiam após 3 dias da avaliação.

69% dos pacientes do terceiro grupo não precisaram usar a medicação prescrita. Após 3 dias, a proporção de pacientes com melhora do estado geral e sintomas não diferiu significativamente entre os grupos (37% no primeiro grupo contra 35% no segundo e 30% no terceiro). Proporções semelhantes também foram notadas com relação à duração da doença, às faltas escolares e ao número de pacientes satisfeitos. Apenas o primeiro grupo apresentou um número menor de dias com febre (1 dia contra 2 dias para os grupos 2 e 3). Outro fato observado é que 87% dos pacientes no grupo 1, consideram que os antibióticos foram efetivos para a melhora, uma taxa superior aos grupos 2(55%) e 3 (60%). Além disso, 79% dos pacientes do grupo 1 consideraram a possibilidade de retornar ao médico em episódios futuros. Este foi um dado diferentemente notado nos grupos 2 e 3, nos quais apenas 54% e 57% respectivamente levantaram essa hipótese.

Os autores concluíram que o uso de antibióticos, para o tratamento de dor de garganta, pouco altera a resolução dos sintomas. Contudo, a prescrição dos mesmos parece ser importante para grande parte dos pacientes e está relacionada ao retorno ao médico nos próximos episódios. Fatores psicossociais e a elaboração de uma boa relação médico-paciente parecem ser fundamentais na aceitação de outras estratégias de tratamento.

Fonte: BMJ 2007;314(7082):722 (March)

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