Efeitos das estatinas na função endotelial
26 de abril de 2005
Equipe Editorial Bibliomed
Equipe Editorial Bibliomed
26 de abril de 2005 (bibliomed). Evidências experimentais sugerem que as estatinas apresentem um efeito, independente de sua ação no perfil lipídico, na função endotelial e na disponibilidade de óxido nítrico. Stefan john e colaboradores, da universidade de erlangen-nürnberg, alemanha, realizaram estudo com o objetivo de determinar se as estatinas garantem uma melhora na disponibilidade de óxido nítrico, em pacientes com hipercolesterolemia, antes de sua ação hipolipemiante ser alcançada. Os resultados foram publicados na revista american heart journal.
Foram estudados 41 pacientes (idade média de 52 anos) e com níveis de ldl-colesterol ≥ 179 +/- 45mg/dl. Eles foram randomizados para receber atorvastatina 20mg/dia ou cerivastatina 0,4mg/dia. A vasodilatação dependente do endotélio, nos vasos do antebraço, foi avaliada por meio de pletismografia e infusão intra-arterial de acetilcolina após 3 (n=18) e 14 (n=39) dias de tratamento. A disponibilidade de óxido nítrico e o estresse oxidativo foram avaliados pela co-infusão de l-nmma e vitamina c.
Após 3 dias de tratamento, os níveis de ldl-colesterol reduziram 11,9%, com uma queda adicional de 29,6% após 14 dias. A vasodilatação dependente do endotélio melhorou em 46,7% após 3 dias de terapia, quando comparada ao valor inicial. Entretanto, após 14 dias de tratamento, nenhum benefício adicional na vasodilatação foi obtido. A co-infusão de l-nmma e vitamina c foi capaz de melhorar a vasodilatação dependente do endotélio antes, mas não após 3 e 14 dias de tratamento. A melhora da vasodilatação não foi mais observada quando o inibidor do óxido nítrico-sintetase (l-nmma) foi co-infundido com acetilcolina.
O estudo concluiu que as estatinas são capazes, a curto prazo, de melhorar a função endotelial e a disponibilidade de óxido nítrico, quase completamente, após 3 dias de uso, em pacientes com hipercolesterolemia. Esse efeito ocorre, provavelmente, por redução do estresse oxidativo. Essa melhora parece ser mais rápida do que o efeito concomitante de reduzir os níveis de ldl-colesterol, sendo que os dois efeitos são independentes. Esses achados apóiam o conceito de que as estatinas exercem efeitos independentes dos lipídios, em seres humanos.
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