Avaliação da exposição pré-natal à cocaína

20 de dezembro de 2002
Equipe Editorial Bibliomed

20 de Dezembro de 2002 (Bibliomed). Um novo estudo sobre os efeitos da exposição pré-natal à cocaína e opiáceos no desenvolvimento neurológico em crianças com 1 mês de idade mostrou que os efeitos são sutis e podem ser detectados. A amostra do estudo incluiu 658 crianças expostas e 730 controles combinados por raça, sexo, e idade gestacional (11.7% nascidas com <33 semanas de idade gestacional). As mães foram recrutadas em 4 centros urbanos universitários, eram na maioria negras e utilizavam a assistência pública.

A exposição foi determinada pela avaliação do mecônio e o relato de uso de álcool, maconha e tabaco. As crianças de 1 mês de idade (idade corrigida) foram testadas pela escala de neurocomportamento NICU (NICU Network Neurobehavioral Scale) e pela análise acústica do choro. Os grupos do estudo foram comparados após os ajustes para co-variáveis (álcool, maconha, tabaco, peso ao nascimento, classe social). Análises separadas foram conduzidas para nível de exposição à cocaína.

Na escala NICU, a exposição à cocaína esteve relacionada a menor excitação, pior qualidade dos movimentos e auto-regulação, maior excitabilidade, maior hipertonia e com os maiores efeitos mantidos após os ajustes para co-variáveis. Alguns efeitos estiveram associados com uma grande exposição à cocaína, e os efeitos foram também encontrados para opiáceos, álcool, maconha, e peso ao nascimento. As características do choro que refletem a reatividade, controle respiratório e neural dos sons do choro também estavam comprometidas pela exposição à drogas, incluindo cocaína, opiáceos, álcool, e maconha e pelo peso ao nascimento. Poucos efeitos do choro permaneceram após o ajuste para co-variáveis.

Os autores concluíram que os efeitos da cocaína são sutis e podem ser detectados quando estudados no contexto do uso de múltiplas drogas e o nível de exposição à cocaína. Os efeitos de outras drogas mesmo em baixos níveis podem ser observados no contexto de um modelo de múltiplas drogas. A habilidade de detectar os efeitos destas drogas requer uma amostra maior e testes neurocomportamentais que são diferencialmente sensíveis aos efeitos das drogas. Um seguimento a longo prazo é necessário para determinar se estas diferenças desenvolvem em déficits clinicamente significativos.

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