Risco de câncer de mama relacionado ao uso de álcool e hormônios

27 de novembro de 2002
Equipe Editorial Bibliomed

27 de Novembro de 2002 (Bibliomed). Pesquisas anteriores demonstraram que, isoladamente, o uso de álcool e terapia de reposição hormonal pode aumentar o risco individual de câncer de mama. Novas evidências surgiram mostrando que a associação destes fatores de risco pode levar a um aumento do risco maior do que cada fator isoladamente.

Esta conclusão provém do estudo de um grupo de mais de 44.000 mulheres, acompanhadas por 14 anos. Durante este tempo, a cada dois anos os pesquisadores verificavam o uso de TRH e o surgimento do câncer de mama. Em quatro momentos durante o estudo os pesquisadores inquiriram a respeito do consumo médio de álcool. Os resultados mostram que aquelas que consumiam mais do que uma dose e meia de bebidas alcoólicas por dia e utilizaram terapia de reposição hormonal por mais de 5 anos estão mais de duas vezes mais propensas a desenvolver câncer de mama do que aquelas que não consumiam álcool nem utilizavam TRH. Os autores demonstraram também que o aumento do risco naquelas que consumiam álcool ou utilizaram TRH por mais de 5 anos foi de aproximadamente 30%. Assim, a soma dos fatores de risco levou a um aumento maior que a adição dos riscos esperados para álcool e TRH. Os resultados foram publicados na Annals of Internal Medicine.

Liderados pela Dra. Wendy Y. Chen da Brigham and Women’s Hospital e do Dana-Farber Cancer Institute em Boston, Machachusetts, os pesquisadores acrescentam ao corpo, já bastante complexo, das evidências clínicas em relação à terapia de reposição hormonal o conceito de que sua utilização concomitantemente com o álcool pode aumentar significativamente o risco de câncer de mama. Esta informação pode auxiliar na tomada de decisões, nada fácil, por parte da mulher quando a mesma opta por utilizar ou não a reposição hormonal na menopausa.

Os pesquisadores, em uma tentativa de padronizar este risco, afirmam que a ingestão de menos de um drink por dia – por exemplo, duas doses por semana – não afeta de forma significativa o risco de câncer de mama. Como ainda não está estabelecido o limite mínimo de consumo de álcool para se atingir os pretensos benefícios cardiovasculares que o mesmo traz, a redução do consumo para menos de uma dose por dia pode impedir o aumento do risco de câncer de mama sem prejudicar os possíveis benefícios cardiovasculares.

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