Uso diário de aspirina não é recomendado para todos
29 de agosto de 2002
Equipe Editorial Bibliomed
Equipe Editorial Bibliomed
29 de Agosto de 2002 (Bibliomed). Diversos estudos já provaram os benefícios do uso diário de aspirina em indivíduos com risco aumentado de doença cardíaca, mas estes ainda não mediram adequadamente os efeitos da droga em indivíduos com baixo risco de doença cardíaca.
Esta conclusão provém de um estudo liderado pelo Dr. John M. Boltri da Mercer University School of Medicine em Macon, Geórgia. Segundo ele, não existe ainda evidência suficiente que justifique o emprego da aspirina em indivíduos sob baixo risco cardíaco.
Os efeitos colaterais do ácido acetilsalicílico, como hemorragias e úlceras digestivas de fato apresentam contra-indicação relativa para indivíduos que não se beneficiariam de fato do uso diário da droga.
A equipe do Dr. Boltri revisou estudos clínicos sobre os benefícios de doses diárias de aspirina na prevenção de doença cardíaca e IAM em indivíduos sob baixo risco destas condições. Foram definidos como indivíduos sob baixo risco aqueles portadores de não mais que um fator de risco comum, incluindo hipertensão, história familiar da doença ou diabetes. Em homens, um fator de risco para doença cardiovascular inclui idade superior a 45 anos, e para mulheres idade superior a 55 anos.
Os pesquisadores restringiram sua pesquisa a estudos que mediram as taxas de mortalidade por todas as causas dentre os pacientes, devido ao fato de que o relato apenas da mortalidade cardíaca poderia excluir aqueles que morreram por efeitos colaterais da aspirina, como hemorragia gastrointestinal e intracerebral.
Três estudos foram analisados, englobando juntos mais de 110.000 pacientes. A equipe do Dr. Boldi encontrou que dois dos três estudos mostraram que pessoas sob baixo risco de doença cardíaca não tiveram sua taxa de mortalidade diminuída pelo uso regular de aspirina. Além disto, o terceiro estudo mostrou que indivíduos sob baixo risco que utilizam aspirina regularmente apresentam risco maior de morte do que os que não tomam aspirina regularmente. O estudo foi publicado no The Journal of Family Practice.
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