Gravidez na adolescência tem maior taxa de complicação

21 de junho de 2002
Equipe Editorial Bibliomed

21 de Junho de 2002 (Bibliomed). Estudo confirma a idéia de que a gravidez na adolescência, problema crescente no mundo ocidental, traz uma taxa maior de complicações como parto prematuro e DHEG (doença hipertensiva específica da gravidez).

A confirmação provém de um estudo realizado por pesquisadores da Emory University em Atlanta, Geórgia, e mostra que as adolescentes apresentam chance maior de parto prematuro – antes de 37 semanas de gestação – e são mais de duas vezes mais propensas a desenvolver eclâmpsia do que mulheres mais velhas, com pelo menos 20 anos de idade.

Porém, os pesquisadores liderados pela Dra. Chineta R. Eure encontraram também que as adolescentes podem apresentar risco menor para outras complicações, como parto cesáreo e parto vaginal operatório com fórceps ou vácuo.

Os resultados se basearam na revisão da história obstétrica de 14.718 adolescentes e 11.830 mulheres mais velhas ao longo de 15 anos de estudo. Os pesquisadores mediram se as mulheres mais jovens tiveram risco aumentado de complicações como pré-eclâmpsia, eclâmpsia, parto prematuro, baixo peso ao nascer e parto cesáreo, comparadas a mulheres mais velhas.

Além da incidência maior de complicações, as mulheres com menos de 19 anos também foram mais propensas a serem afro-americanas, não serem casadas e serem portadoras de doenças sexualmente transmissíveis. O estudo foi publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology.

A taxa de complicações mudou de acordo com a idade da mãe jovem. Em comparação a mães de pelo menos 20 anos de idade, mães com menos de 15 anos foram mais propensas a apresentar pré-eclâmpsia, parto prematuro e bebês com baixo peso, e apresentaram um risco mais de três vezes maior de eclâmpsia. Mães com idade entre 15 e 19 anos apresentaram um risco quase duas vezes maior de eclâmpsia.

Em contrapartida, mulheres com menos de 15 anos de idade foram quase duas vezes menos propensas a parto cesáreo do que mães com mais de 20 anos.

Segundo os pesquisadores, o estudo não considerou outros fatores de risco além da idade materna, de forma que não se pode dizer que a idade seja um fator de risco definitivo para a ocorrência destas complicações. Segundo eles, o desenvolvimento de programas específicos e adequados de prevenção da gravidez na adolescência são de valor inestimável, e estes programas deveriam ser direcionados a adolescentes mais jovens que estão sob risco aumentado de complicações gestacionais.

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