Relação médico-paciente é importante no câncer de mama
05 de abril de 2002
Equipe Editorial Bibliomed
Equipe Editorial Bibliomed
05 de Abril de 2002 (Bibliomed). A relação médico-paciente talvez seja o ponto mais importante do trabalho médico, pois é a partir desta que o profissional fica a par de todas as angústias, medos, características, personalidade e particularidades de seu paciente, tornando qualquer conduta muito mais adequada ao receptor do cuidado. Por outro lado, o paciente que se sente acolhido, entendido, compreendido pelo médico tem muito mais chances de seguir corretamente suas orientações, de relatar ao profissional todas as suas dúvidas e anseios, e tende a ficar muito mais satisfeito com o tratamento recebido.
Infelizmente, nos tempos atuais, esta relação preciosa tem sido relegada a segundo plano, tanto pelo desenvolvimento cada vez maior da parafernália propedêutica ao alcance dos profissionais quanto pelas agendas apertadas e múltiplos compromissos dos profissionais, que “perdem” cada vez menos tempo com cada indivíduo, relegando-os à condição cada vez mais estreita de “pacientes”.
Um estudo mostra que médicos que gastam mais tempo com suas pacientes idosas com câncer de mama, discutindo as opções de tratamento e questões relativas à cirurgia, alcançam maior satisfação das clientes e melhoram o cuidado geral das mesmas. A palavra-chave para a satisfação destas pacientes, todas com câncer de mama em estágio inicial, pareceu ser a empatia do profissional, disposto a entender a situação física e psicológica de cada uma em particular.
Mulheres que disseram que seus médicos iniciaram uma longa discussão a respeito das preocupações e opiniões sobre a doença e suas conseqüências foram mais de duas vezes mais propensas a relatarem satisfação com o atendimento do que pacientes cujos médicos responderam a poucas questões deste tipo.
Existem dois elementos principais nesta comunicação entre o médico e seu paciente – um deles é a informação técnica, que informa o indivíduo sobre suas doenças, as chances de cura, os efeitos colaterais do tratamento, e assim por diante. O outro elemento é a informação mais global, onde o médico trata de questões sobre as preocupações pessoais do paciente, aproximando humanamente o médico do paciente. Este segundo elemento é um fator importante para a satisfação com os resultados do tratamento.
O estudo envolveu 613 mulheres com idade igual ou superior a 67 anos com diagnóstico de câncer de mama inicial. O diagnóstico foi firmado 3 a 6 meses antes da entrevista sobre a satisfação com o atendimento. Os pesquisadores observaram que enquanto a maior parte dos médicos são muito bons ao discutir opções de tratamento, eles geralmente não são tão bons na abordagem das questões emocionais que cercam o procedimento cirúrgico. Isto pode ser devido à falta de habilidade nesta área mais emocional ou à falta de tempo do profissional.
As discussões sobre as opções terapêuticas nem por isto são menos importantes. Mulheres cujos médicos discutiram mais sobre as opções de tratamento disponíveis foram mais propensas a realizar cirurgia conservadora seguida de radioterapia do que a realizar mastectomia total ou cirurgia conservadora sem radioterapia. Além disto, mulheres que foram mais bem informadas por seus médicos foram mais propensas a completar o protocolo de radioterapia pós-cirúrgica do que mulheres que receberam menos informações.
Outro dado proveniente do estudo é que pacientes mais idosas tendem a levantar menos questões com seus médicos do que pacientes mais jovens, provavelmente devido ao pudor, ou ao fato de não saberem bem como levantar as questões que as preocupam. É papel do médico, nestes casos, tornar a entrevista o mais confortável possível, respondendo de antemão às possíveis perguntas e estimulando as pacientes a esclarecer suas dúvidas.
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