Asma não tem sido diagnosticada nem tratada corretamente
04 de março de 2002
Equipe Editorial Bibliomed
Equipe Editorial Bibliomed
Belo Horizonte, 04 Março de 2002 (Bibliomed). Crianças que sofrem de asma não têm sido diagnosticadas corretamente por seus médicos, perdendo muitas vezes a chance de se submeter a tratamento adequado para controle de sua condição. Esta é a conclusão a que chegaram pesquisadores dos Estados Unidos.
É recomendado que crianças com asma persistente utilizem medicação de manutenção diariamente, como forma de prevenir recorrências das crises. Um estudo recente, porém, mostra que mais de 74% das crianças nesta situação recebem protocolo inadequado de prevenção.
Para verificação da adequação dos protocolos preventivos, foram entrevistados pais de crianças entre 4 e 6 anos de idade portadoras de asma persistente e os médicos responsáveis pelas crianças.
Os resultados mostraram que apenas 40% dos médicos classificaram adequadamente a doença de seus pacientes, e apenas metade delas recebia medicação de manutenção. Dentre as crianças corretamente diagnosticadas, 83% recebeu prescrição adequada e 58% utilizava adequadamente estes medicamentos.
Os pesquisadores atribuem esta diferença entre a intensidade da doença observada e a avaliação feita pelos médicos a um erro de comunicação entre pais e médicos. Eles acreditam que os pais tendem a ver alguns sintomas patológicos como normais, dada a freqüência com que ocorrem, e não se lembram de notificar aos médicos a presença destes. Além disto, os médicos parecem subestimar a gravidade dos sintomas da asma, e a conseqüência disto seria que crianças que se beneficiariam da medicação preventiva podem estar sendo privadas do uso desta.
Este estudo foi realizado nos Estados Unidos, onde os protocolos de asma são sabidamente melhores e mais eficientes do que os encontrados em nosso meio. Além disto, existem bem menos limitações econômicas ao seguimento destes protocolos no ambiente americano do que no nosso meio. No Brasil, o custo da medicação preventiva, que deve em casos selecionados ser utilizada diariamente, na maioria das vezes inviabiliza seu uso por famílias de baixa renda.
Isto faz com que os casos de exacerbação grave, exigindo internação hospitalar e mesmo internação em UTI, sejam bem mais freqüentes entre estas crianças. Políticas de saúde que visem a inserção destas crianças em protocolos preventivos adequados, viabilizando o uso correto dos medicamentos, representaria um avanço importante no controle desta doença crônica altamente prevalente em indivíduos com até 18 anos de idade.
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