Medidas simples de controle do refluxo gastroesofágico não são eficientes

27 de fevereiro de 2002
Equipe Editorial Bibliomed

Belo Horizonte, 27 de Fevereiro de 2002 (Bibliomed). Algumas medidas que eram consideradas pelo menos parcialmente eficazes no alívio do refluxo gastroesofágico (RGE) parecem ser ineficientes, de acordo com um artigo de revisão sobre o assunto que envolveu dez estudos diferentes publicados na Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine.

As medidas simples sugeridas como capazes de aliviar os sintomas da doença são basicamente posicionamento do lactente com elevação de 30o na cabeceira, uso de dietas espessadas e uso de chupetas. O estudo de revisão avaliou 10 estudos sobre várias estratégias de tratamento do RGE.

Dois estudos mostraram que o posicionamento do lactente na posição assentada e a elevação da cabeceira não diminuíram a freqüência nem a intensidade dos episódios de refluxo. Três estudos avaliaram o espessamento da dieta com farinha de arroz ou outra goma na redução dos episódios de refluxo, com resultados conflitantes. Outros estudos avaliaram o uso de chupetas e alterações na composição da alimentação, e um avaliou o efeito da densidade calórica da dieta sobre o RGE. Nenhum destes estudos apresentou evidências significativas de que quaisquer destas terapias trazem benefício à criança.

Os médicos tendem a considerar estratégias como estas como tratamento de primeira linha para alívio do RGE, e provavelmente devem rever seus conceitos à luz destas evidências. O RGE pode ser inócuo e se resolver com o passar do tempo. Se for grave, pode trazer dificuldades de crescimento devido às perdas calóricas pelos vômitos ou regurgitações volumosas, infecções pulmonares por aspiração do conteúdo regurgitado, crises de broncoespasmo, tosse, dentre outros. Em casos de RGE grave, pode ser necessário considerar tratamento medicamentoso ou mesmo cirúrgico para resolução do problema.

O diagnóstico do refluxo gastroesofágico em lactentes pode ser difícil, e os sintomas incluem regurgitação excessiva após alimentação, manifestações inespecíficas de dor, dificuldade para ganhar peso, tosse e episódios de doenças pulmonares. É preciso que pais e pediatras estejam atentos a estes sinais para que tratamento eficiente seja instituído o mais cedo possível como forma de minimizar os danos causados pelo RGE grave.

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