Filhos de mães HIV positivas apresentam mutações genéticas

26 de fevereiro de 2002
Equipe Editorial Bibliomed

Belo Horizonte, 26 de fevereiro de 2002 (Bibliomed). Apesar do incontestável benefício que os anti-retrovirais representam para filhos de mães HIV positivas, as drogas parecem induzir duas vezes mais mutações no DNA dos fetos. Ainda não se sabe quais seriam as conseqüências destas mutações, mas existem várias possibilidades, como o maior risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

Na verdade, estas mutações podem até mesmo ser inofensivas. Os pesquisadores do Lovelace Respiratory Research Institute em Albuquerque, N.M., não recomendam ainda que sejam feitas quaisquer restrições ao uso de anti-retrovirais na gestação. O benefício observado na redução da taxa de transmissão do HIV é inquestionável, e não seria o caso de prejudicar este benefício por este possível risco ainda não confirmado.

O Dr. Vernon Walker, coordenador da pesquisa, apresentou seus resultados no encontro anual da American Association for the Advancement of Science. Segundo ele, não existem ainda relatos de câncer relacionado ao uso destes medicamentos em crianças.

A taxa de ocorrência de mutação dobrou entre crianças em uso de zidovudina ou AZT e/ou lamuvidine ou 3TC. Outro achado foi que estas mutações, que são encontradas em crianças normais não expostas em taxa menor do que nas expostas, são mais propensas a criar uma proteína anormal em crianças expostas às drogas.

Na verdade, estas mutações vistas em recém-nascidos são passíveis de serem encontradas em adolescentes. Isto significa que as drogas anti-retrovirais podem estar influenciando no “envelhecimento” do DNA destas crianças. Ainda é cedo para afirmar quais seriam as conseqüências deste fato no desenvolvimento e na vida adulta destas crianças, porque o uso destes medicamentos é muito recente: as primeiras crianças cujas mães utilizaram AZT para prevenção da transmissão vertical do vírus estão hoje com sete anos de idade.

O debate ético sobre a validade do tratamento preventivo da transmissão vertical já começou. À medida que o acompanhamento destas crianças que hoje estão sendo expostas intra-útero a estas drogas for avançando, será possível avaliar melhor a relação risco-benefício do uso pré-natal destes medicamentos. A taxa de transmissão materno-fetal do HIV está em torno de 25%, e a mesma se reduz a próximo de zero com o uso de anti-retrovirais.

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