Muitos doentes renais permanecem sem diagnóstico
15 de fevereiro de 2002
Equipe Editorial Bibliomed
Equipe Editorial Bibliomed
Belo Horizonte, 15 de Fevereiro de 2002 (Bibliomed). A National Kidney Foundation nos Estados Unidos afirma que a maioria dos 20 milhões de americanos com doença renal crônica ainda não tem diagnóstico confirmado, e outros 20 milhões estão sob alto risco de desenvolvimento da doença sem saber.
Se estes dados forem verdadeiros, estes pacientes com lesão renal crônica podem estar sendo privados de tratamento e acompanhamento adequado. A doença renal apresenta manifestações clínicas apenas em estágios adiantados, devido ao fato de os rins apresentarem grande reserva funcional. A preocupação é a definição de protocolos para diagnóstico mais precoce destas doenças, que poderiam evitar as conseqüências desastrosas de uma insuficiência renal crônica, diálises e transplantes.
Os especialistas convocados pela fundação elaboraram um novo protocolo onde pessoas sob risco de doença renal devem realizar exames de urina e sangue freqüentemente. O novo protocolo foi publicado no American Journal of Kidney Diseases.
O objetivo do novo protocolo é o rastreamento e tratamento das condições clínicas que levam à perda funcional do rim, para que seja possível a interrupção ou retardo de sua evolução. Isto provavelmente iria reduzir o número de pacientes que atinge o estágio de doença renal terminal, com dependência de diálise e transplante.
Os exames recomendados pelo protocolo incluem proteinúria e taxa de filtração glomerular (que pode ser estimada pela dosagem de creatinina no soro). Pessoas sob alto risco de doença renal incluem diabéticos, hipertensos, pessoas com história familiar positiva para doença renal e idosos.
Existem quatro tratamentos básicos disponíveis para o retardo da evolução da doença renal crônica. Os bloqueadores dos receptores de angiotensina II são capazes de retardar em até dois anos a doença renal em pacientes com doença avançada, e estima-se que a proteção possa ser ainda maior se iniciados mais precocemente.
O controle da pressão arterial também é crucial para estes pacientes, dados os efeitos deletérios conhecidos da hipertensão sobre a fisiologia renal. Em pacientes diabéticos, o controle glicêmico eficiente também é fundamental. Também se recomenda dieta hipoprotéica, apesar de ainda haver alguma controvérsia sobre sua utilidade na proteção da função renal.
Após o diagnóstico de doença renal, a realização anual de exames de urina e dosagem de creatinina sérica devem ser repetidos pelo menos anualmente. Ainda está para ser definida a freqüência com a qual pessoas em que um primeiro exame excluiu doença renal devem realizar novos testes.
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