USP desenvolve primeiro mamífero transgênico brasileiro

19 de novembro de 2001
Equipe Editorial Bibliomed

Belo Horizonte, 19 de Novembro de 2001 (Bibliomed). Pesquisadores do Instituto de Biociências e da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram o primeiro mamífero geneticamente modificado do Brasil. O camundongo transgênico, divulgado no fim do mês passado, apresenta mutações em um gene, o da fibrilina, relacionado à Síndrome de Marfan. Os portadores da Síndrome têm problemas nas áreas esqueléticas, ocular e cardiovascular. O desenvolvimento dos animais vai permitir, agora, o estudo mais aprofundado de várias doenças e do uso de drogas e tratamentos. O animal servirá também para as pesquisas de doenças genéticas humanas.

O estudo com os camundongos geneticamente modificados começou há cerca de quatro anos. No entanto, apenas em 2001 os resultados foram satisfatórios. Os pesquisadores que participaram do estudo – Lygia da Veiga Pereira e José Antônio Visintin – acreditam que o animal será uma ferramenta importante para estudar a função de determinados genes. Atualmente, cerca de 30 mil genes já foram identificados. No entanto, a Ciência ainda desconhece a função de todos eles.

O desenvolvimento dos camundongos transgênicos foi feito a partir da mutação em células tronco embrionárias criadas e padronizadas em laboratório. Por choque elétrico, foi introduzido em cada célula o gene da fibrilina. A célula alterada foi, então, introduzida em um embrião, posteriormente implantado no útero de uma fêmea. A fêmea gerou diversos filhotes, conhecidos como quimeras. Os espermatozóides das quimeras apresentaram a mutação do gene, transmitida aos filhotes. O roedor transgênico, pai da ninhada igualmente transgênica, nasceu em julho e foi chamado de Christian.

O gene da fibrilina está ligado à Síndrome de Marfan. A doença provoca crescimento excessivo dos membros, escoliose, deformidades no tórax, miopia, deslocamento da retina, dilatação da raiz da aorta e prolapso da válvula mitral. A Síndrome atinge uma em cada 10 mil pessoas. Seus portadores têm sobrevida média de 40 anos e morrem, em 90% dos casos, por falha cardiovascular. Os camundongos transgênicos apresentam a mesma mutação dos doentes.

A escolha do camundongo foi feita para as pesquisas porque o animal tem ciclo de vida curto, permitindo o acompanhamento da síndrome e a agilidade da reação das drogas. O camundongo possui também cerca de 80% dos genes semelhantes aos do homem. Seis pesquisadores da USP participaram do estudo, que custou US$ 150 mil.

Outros estudos para o desenvolvimento de animais transgênicos estão sendo feitos no Instituto do Coração (Incor), relacionado a mutações em genes envolvidos na função cardíaca, e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em um gene relacionado à diabetes tipo I. Também há estudos para desenvolver suínos e bovinos transgênicos que possam auxiliar no transplante de órgãos.

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