Contraceptivos Masculinos Injetáveis se Mostram Promissores

01 de fevereiro de 2001
Equipe Editorial Bibliomed

Por Merritt McKinney

NEW YORK, (Reuters Health)
– Em um resultado que pode se transformar em uma boa notícia para mulheres cansadas de serem responsáveis pelo controle de natalidade, um novo estudo mostra que uma forma experimental de contracepção masculina suprime a produção de espermatozóides.

O estudo fornece algumas boas notícias para os homens, uma vez que as injeções contraceptivas utilizadas no estudo são administradas apenas a cada 6 semanas, e não semanalmente como em outros anticoncepcionais masculinos que já foram testados.

O protocolo testado no estudo incluiu uma forma do hormônio sexual masculino testosterona, o undecanoato de testosterona, e o enantato de noretisterona (NETE), um hormônio utilizado na contracepção feminina.

Ao longo de um curso de 24 semanas de tratamento, todos os 28 homens saudáveis do estudo, que tinham idade entre 18 e 45 anos, receberam uma injeção de testosterona a cada 6 semanas. Metade dos homens foi aleatoriamente selecionada para receber também injeções de NETE, enquanto os outros tomaram um placebo.

Os homens em ambos os grupos experimentaram uma diminuição na contagem de espermatozóides, mas as reduções foram maiores no grupo de homens em uso de ambos os hormônios, de acordo com o Dr. Eberhard Nieschlag e colaboradores da University of Munster na Alemanha.

Ao final do estudo, a produção de espermatozóides havia cessado totalmente em 13 dos 14 homens em uso da combinação de hormônios mas em apenas 7 dos 14 que utilizaram apenas a testosterona.

Os resultados do estudo estão publicados no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism.

Ambos os tipos de injeções causaram alguns efeitos colaterais, incluindo acne leve e dor à injeção dos hormônios. Além disto, vários homens em uso de testosterona e NETE experimentaram um aumento na sudorese noturna.

Mas nenhum dos homens abandonou o estudo devido a estes efeitos colaterais, e nenhum se queixou de alterações no humor ou na função sexual, indicam os resultados.

Contudo, as injeções afetam os níveis de colesterol, elevando o colesterol LDL (o colesterol ‘mau’) e reduzindo o HDL (o colesterol ‘bom’).

Apesar da combinação de hormônios apresentar efeitos mais pronunciados sobre o colesterol do que a testosterona isolada, os níveis de colesterol em todos os homens ficaram dentro da faixa normal, de acordo com os pesquisadores.

“Em vista dos excelentes resultados e da ocorrência de efeitos colaterais apenas leves e pouco importantes, a combinação de undecanoato de testosterona e NETE oferece um grande potencial para o desenvolvimento de um contraceptivo masculino hormonal,” escrevem os autores.

O próximo passo no teste da combinação testosterona-NETE é conduzir estudos clínicos que incluam mais voluntários e estudos para determinar se as injeções podem ser administradas com menos freqüência do que a cada 6 semanas, disse Nieschlag á Reuters Health. De fato, ele disse, pesquisadores planejam conduzir estudos para avaliar se os hormônios não apenas interrompem a produção de espermatozóides mas também previnem a gravidez.

Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism 2001;86:303-309.

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Sinopse preparada por Reuters Health

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