03 - Desempenho do DIU


Equipe Editorial Bibliomed

Os DIU’s podem ser classificados em:

  • Medicados – os que têm cobre ou que liberam hormônio
  • Não-medicados ou inócuos

A maioria dos tipos de DIU mais usados atualmente contém cobre.

Tipos de DIU

Os DIU’s medicados incluem o cobre ou um hormônio na estrutura de plástico. A primeira geração do DIU de cobre, que incluía o Cu-7, o TCu-200 e o Multiload-250 (MLCu-250) tinha filamentos de cobre com uma área superfície de 200 a 250 mm2. A segunda geração do DIU de cobre introduziu várias inovações: mais filamento de cobre, tubos cobre e/ou um núcleo de prata no filamento de cobre (indicado pela inclusão do símbolo da prata, Ag, no nome do produto). Estas mudanças aumentaram a eficácia e a vida útil efetiva (veja o Quadro 2). Os principais DIU’s de segunda geração são o TCu-380A, TCu-220C, Nova T e Multiload-375 (MLCu-375).

Os DIU’s que liberam hormônio segregam constantemente pequenas quantidades de hormônio esteróide no útero. O Progestasert, que vem sendo comercializado desde 1976, contém 38mg de progesterona, a qual vai sendo liberada a uma taxa de 65 microgramas por dia, durante um ano. O DIU LNG-20 contém 52mg de levonorgestrel, que é liberado a uma taxa de 20 microgramas por dia e dura pelo menos 5 anos (610). A partir do início dos anos 90, seu uso foi aprovado na Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia (497, 610). Recentemente, o LNG-20 também foi aprovado na Bélgica, França, Islândia, Cingapura, Suíça e Reino Unido.

A Alça de Lippes, feita de polietileno, era o DIU não-medicado mais amplamente usado fora da China. Este DIU não é mais distribuído internacionalmente. Os outros tipos principais de DIU não-medicado são anéis flexíveis de aço inoxidável (podem ser redondos ou assumir a forma da cavidade uterina e são feitos com uma espiral simples ou dupla). Estes anéis têm uso muito difundido na China, mas não em outras partes do mundo.

Os pesquisadores continuam a desenvolver e testar novos DIU’s que podem reduzir as taxas de expulsão e os efeitos adversos. Um dos dispositivos sendo considerado é o Cu-SAFE 300, um DIU de cobre em forma de T, cujas características são a menor dimensão e peso e maior flexibilidade, que pode ser colocado sem o uso de êmbolo e é concebido de forma a instalar-se no fundo do útero (sua parte superior) quando este se contrai (522, 643). Existe também um DIU sem armação, que consiste de seis tubos de cobre sobre um fio cirúrgico de nylon, com os nomes FlexiGard 330, GyneFix™ ou CuFix PP330. O fio tem um nó na extremidade, permitindo sua fixação ao músculo miométrio no fundo do útero. Em estudos clínicos, o dispositivo demonstrou ser altamente eficaz e de fácil uso (492, 563, 625, 641, 642, 647, 649). Outra abordagem foi adotada por pesquisadores na Suíça que conceberam um DIU com cobre, com armação em forma de T, denominado Sof-T. A ponta de cada extremidade do braço do DIU consiste de uma esfera macia, que impede a perfuração e bloqueia a entrada das trompas de Falópio evitando a entrada dos espermatozóides (500, 581).

Comparação dos DIU’s

Os DIU’s de cobre de segunda geração são muito mais eficazes e têm muito menos efeitos adversos do que os DIU’s não-medicados. Os DIU’s de cobre atualmente disponíveis são semelhantes em termos de eficácia, efeitos adversos, expulsão e taxas de continuidade. O DIU LNG-20, que libera hormônio pode ser mais eficaz que o DIU de cobre, além de reduzir geralmente o sangramento menstrual, ao passo que o DIU de cobre pode aumentá-lo (609).

As taxas de gravidez e de complicações, mesmo quando se considera um mesmo DIU, variam de uma clínica a outra ou de um estudo a outro. Isso ocorre porque as mulheres são diferentes em termos de idade, paridade e outros fatores que influenciam o desempenho do DIU. Também, a qualidade do atendimento de saúde pode variar. Por isso, os estudos randomizados multicêntricos são, geralmente, os meios mais confiáveis para avaliar e comparar o desempenho do DIU. Os resultados de tais estudos estão indicados na Tabela 1.

Apesar de continuarem os esforços para criar DIU’s cada vez melhores, a qualidade dos serviços de saúde oferecidos às usuárias do DIU tem maior influência sobre o desempenho desse dispositivo do que a sua concepção específica. Especialmente importante é o nível de treinamento e experiência de um provedor de serviços de saúde, particularmente quanto às técnicas de colocação.

É normal avaliar-se o DIU em termos da eficácia anticoncepcional, da taxa de continuidade das mulheres e das taxas de remoção devida a efeitos colaterais e complicações tais como dor, perfuração, expulsão e infecção. Todos estes fatores são medidos em termos das taxas da tabela de vida, ou seja, o número de gravidezes e remoções em 100 ou 1.000 mulheres, depois de um período especificado de uso do DIU.

Eficácia

O DIU é um dos métodos anticoncepcionais mais eficazes. Com a maioria dos tipos de DIU, as taxas de gravidez variam de menos de uma gravidez a no máximo três em cada 100 mulheres. Entre os DIU’s de cobre mais amplamente usados, são três os mais eficazes: o TCu-380A, o TCu-220C e o MLCu-375, sendo o TCu-380A o mais eficaz dos três. As taxas de gravidez para todos os principais tipos de DIU são de menos do que uma gravidez em 100 mulheres por ano (veja a Tabela 1). O DIU é pelo menos tão eficaz quanto os implantes Norplant®, os anticoncepcionais injetáveis e a esterilização voluntária de homens e mulheres (331, 547). Num estudo internacional comparativo em curso, patrocinado pela OMS, constatou-se que, depois de 10 anos de uso, a taxa cumulativa de gravidez para o TCu-380A foi de 2,1 em 100 mulheres e de 5,7 para o TCu-220C (625). Esta diferença é estatisticamente diferente. Para o LNG-20, foi relatado um índice de gravidez de 0,3, depois de cinco anos de uso (5 73).

As taxas de gravidez de dispositivos anteriores – o TCu-200, o Cu-7 e a Alça de Lippes – são de cerca de 2 em cada 100 mulheres, no primeiro ano (331) (veja a Tabela 1). O anel de aço inoxidável, usado amplamente na China no início do século, era menos eficaz, apresentando taxas de gravidez que chegavam a 10 em cada 100 mulheres, num período de dois anos (363, 364, 603). Uma pesquisa feita em 1982 constatou que 34% dos abortos induzidos na China ocorreram depois de alguma falha do DIU (66). As análises demonstraram que um DIU mais eficaz reduziria os riscos à saúde e economizariam muito ao governo chinês (603). No início de 1993, o governo chinês decidiu fornecer aos serviços de planejamento familiar somente os modelos de DIU com cobre (570, 632).

Como a maioria dos outros anticoncepcionais reversíveis, considera-se que o DIU tenha um desempenho menos bom no uso geral do que nos estudos clínicos (387, 505). Na prática, porém, ele continua a ser um dos métodos anticoncepcionais reversíveis de maior eficácia. Por exemplo, de acordo com os dados das Pesquisas Demográficas e de Saúde realizadas em 15 países, a taxa de gravidez dos vários tipos de DIU foi de 3,4 em 100 usuárias, no primeiro ano de uso, 5,9 em 100 usuárias de anticoncepcionais orais, 12,5 para as que praticavam o coito interrompido, e 19,9 para as que utilizavam o método do ritmo (533). Uma análise anterior dos dados da Pesquisa Mundial de Fertilidade em cinco países latino-americanos constatou, para o caso de uso de preservativos, uma taxa de gravidez de 18 em 100 (122). Um estudo realizado em 1980 nas Filipinas também relatou taxas de gravidez marcantemente mais baixas entre as usuárias do DIU do que entre as usuárias de anticoncepcionais orais (204). Em três províncias do Vietnã, um estudo retrospectivo constatou uma taxa de gravidez da ordem de 3% no primeiro ano de uso, entre as mulheres cujo DIU manteve-se in situ (584) (Veja o Quadro 1).

Continuação

As mulheres usam o DIU por mais tempo do que outros métodos anticoncepcionais reversíveis. Em grandes estudos multicêntricos realizados em países em desenvolvimento, entre 70 e 90 de cada 100 mulheres ainda usavam o DIU um ano depois da colocação do mesmo (veja a Tabela 1). Um estudo realizado pelo Population Council constatou que, oito anos após a colocação do TCu-380Ag, 25 em cada 100 mulheres ainda o usavam (547). Um estudo da OMS constatou que 44% continuavam a usar o TCu-380A, sete anos após sua colocação (566). As taxas de continuação do uso do DIU, em estudos clínicos, são tão altas ou superiores às taxas dos implantes Norplant (470, 472, 562) e superiores às dos anticoncepcionais orais, preservativos ou diafragmas (204, 437, 473).

Mesmo fora dos estudos clínicos, as taxas de continuação do DIU são altas (505). O estudo realizado nas Filipinas em 1980 estimou em 70% a taxa de continuação de um ano para as usuárias do DIU, em comparação com 42% para as usuárias de anticoncepcionais orais e 10% para as usuárias de preservativos (204). De forma semelhante, dados estatísticos do programa nacional de planejamento familiar da Indonésia demonstraram que entre 65% e 75% das usuárias do DIU ainda usavam o mesmo método depois de três anos, em comparação com 30% a 40% para as usuárias de anticoncepcionais orais (98). No Paquistão, uma entrevista realizada em 1992-93 constatou que 72% das usuárias do T de cobre ainda usavam seu DIU depois de 12 meses, bem como 64% das usuárias da Alça de Lippes (621).

Sangramento e Dor

O aumento do sangramento menstrual, freqüentemente acompanhado de dor, é o problema mais comum do uso do DIU e a razão médica mais comum para a sua remoção. Estudos clínicos constataram que entre 4% e 15% das mulheres paravam de usar o DIU por esta razão, dentro do período de um ano após a colocação. Os percentuais são geralmente mais altos para a Alça de Lippes e outros dispositivos não medicados do que para os DIU’s de cobre.

As mulheres de maior idade e as mulheres com filhos apresentam menores índices de remoção devida ao sangramento e dor (332, 463). O tipo de orientação que as mulheres recebem e suas atitudes com relação ao uso do DIU também influenciam as taxas de abandono do uso devido ao sangramento e dor (27). As mulheres que não desejam ter mais filhos, por exemplo, podem ter maior tolerância a um sangramento maior e menor probabilidade de abandonar o uso do que as mulheres mais jovens que desejam ter mais filhos. Os tipos não-medicados de DIU e o DIU de cobre aumentam o volume de sangramento menstrual em cada ciclo, provavelmente porque o DIU perturba os vasos sangüíneos ou altera o mecanismo de coagulação normal que ocorre nas camadas de revestimento do útero (341, 437). Com os dispositivos não-medicados, o fluxo do sangue aumenta, em média, de 50% a 100% acima dos níveis que ocorriam antes da colocação do DIU (10, 132, 135, 167, 437) e, no caso dos DIU’s de cobre, entre 20% a 50% (115, 135, 167, 207, 212, 229).

Diferentemente dos outros tipos, os DIU’s que liberam hormônios diminuem o fluxo sangüíneo menstrual e, no caso do LNG-20, podem até evitar totalmente a ocorrência da menstruação (amenorréia), como resultado do progestogênio que esse tipo de DIU libera (131, 222, 258, 308, 465, 517, 549, 562, 630). Na verdade, o LGN-20 já foi usado, com sucesso, no tratamento de mulheres que sofrem de menorragia, ou seja, fluxo menstrual em excesso (479). Os tipos de DIU que liberam hormônio podem aumentar o número de dias com sangramento leve ou dias com manchas. A taxa de remoção do DIU devido ao sangramento ou dor é influenciada pelo maior número de remoções devido à amenorréia constatada para o DIU LNG nos estudos clínicos realizados em países em desenvolvimento, o que torna sua taxa mais alta do que para os DIU’s de cobre (517, 549). Em contraste, um estudo europeu constatou que a remoção do LNG-20 por motivo de sangramento e dor era menos comum do que a remoção do Nova T (573) (veja a Tabela 1). Com uma boa orientação, muitas mulheres passam a reconhecer os benefícios da diminuição do fluxo menstrual e, a partir daí, as taxas de continuidade se elevam (530).

Considerados todos os DIU’s, o sangramento anormal e a dor podem não ser devidos ao DIU propriamente dito, mas à doença inflamatória pélvica (DIP), à gravidez ectópica, a tumores malignos ou a outras condições (45, 154). Por isso, o provedor de serviços de saúde deve sempre se perguntar se existe motivo para suspeitar de outras condições que possam estar causando o sangramento e dor.

Risco de anemia. Estima-se que 45% das mulheres não-grávidas em países desenvolvidos sofram de anemia, dentro da definição desta condição adotada pela OMS (460). Muitas outras apresentam taxas apenas marginais de ferro (10). Por essa razão, o aumento do sangramento com os DIU’s de cobre e os DIU’s não-medicados pode constituir motivo de preocupação.

No entanto, não existe prova de que o uso do DIU possa levar à anemia clínica. Alguns estudos de 1 e 2 anos sobre os DIU’s de cobre e não-medicados constatam uma diminuição significativa dos níveis de ferritina sérica, a qual diminui nos estágios iniciais da redução de ferro, e/ou dos níveis de hemoglobina, que ocorre somente nos últimos estágios (10, 115, 117, 134, 147, 167, 188, 378, 481). Outros estudos não constataram nenhuma mudança significativa (212, 271, 284, 298, 320, 615). Os poucos estudos de longo prazo já realizados não constataram grandes aumentos na prevalência da anemia (378, 437). Um estudo feito com o TCu-380Ag em vários países em desenvolvimento e nos EUA constatou que a proporção de mulheres com anemia aumentou muito pouco – de 24% a 25,4% – em quatro anos de uso (329). Entre essas mulheres, os níveis de hemoglobina baixavam ligeiramente durante os dois primeiros anos de uso mas, depois, elevavam-se a níveis superiores aos que as mulheres tinham antes de iniciar o uso do DIU (549). Num estudo de casos e controles feito na República Dominicana, com uma população que apresentava alta incidência de anemia, as mulheres que tinham usado o TCu-380Ag durante três ou quatro anos não apresentavam maior probabilidade de ter baixos níveis de ferritina sérica ou de hematócritos do que as mulheres que não estavam usando o DIU (509). Estudos realizados nos EUA e na Finlândia relatam níveis mais baixos de ferritina sérica nas usuárias de longo prazo do DIU do que nas não-usuárias, mas não foi constatado nenhum caso de anemia (250, 378). Pesquisas recentes indicam que as mulheres podem tolerar níveis de ferritina sérica muito mais baixos do que se estimava anteriormente e, mesmo assim, não desenvolver uma condição de anemia clínica, e que a absorção intestinal do ferro poderá aumentar de forma a compensar pelo sangramento menstrual mais abundante (615). Além disso, nos países em desenvolvimento, a proteção contra gravidezes repetidas – uma causa freqüente de redução de ferro e anemia – poderá compensar pelo aumento do sangramento menstrual provocado pelo uso do DIU (437).

O DIU que libera hormônio, ao reduzir o sangramento menstrual e, em muitos casos, ao fazê-lo cessar inteiramente, poderá na verdade proteger a mulher contra a anemia (479, 531, 588). O estudo feito na República Dominicana constatou que as mulheres que usaram o LGN-20 durante mais de três anos tinham significativamente menor probabilidade de ter baixos níveis de ferritina sérica e hematócritos do que as mulheres que não usavam nenhum tipo de DIU ou do que as mulheres que usavam DIU de cobre ou não-medicado (509).

Perfuração

A perfuração do útero ocorre quando o DIU, o tubo de inserção, a sonda, ou algum outro instrumento ginecológico usado durante o processo de colocação do DIU, perfura a parede do músculo uterino, mais freqüentemente no fundo ou parte superior do útero. Uma técnica cuidadosa de inserção pode evitar a maioria das perfurações (veja a Foto 2). Em importantes estudos clínicos, a ocorrência de perfuração é rara, não ultrapassando mais do que 1,3 perfurações em cada 1.000 colocações (73, 90, 200, 314, 332, 364, 437, 444, 564). Mas pode ser que a perfuração, se ocorrer, não seja percebida à época da colocação (42). A perfuração pode ser parcial, quando apenas uma parte do DIU perfura a parece uterina ou o cérvix, ou então completa, quando o DIU passa pela parede uterina, entrando na cavidade abdominal. Também, com o passar do tempo, o DIU pode se implantar na parede uterina sem perfurá-la (42, 130, 340, 450).

Em geral, uma perfuração parcial do fundo uterino sara rapidamente, não sendo necessário qualquer tratamento. Se for constatado que houve perfuração durante a inserção do DIU, deve-se interromper o procedimento e retirar o DIU (587). Os DIU’s de cobre e os DIU’s que liberam hormônios, se perfurarem totalmente o útero depois de sua colocação, devem ser retirados somente se a perfuração for descoberta dentro de alguns dias ou semanas após a colocação e somente por um cirurgião que tenha experiência na remoção de tais DIU’s por meio de laparoscopia. Apesar de ser possível que um DIU de cobre fique parcial ou completamente envolvido em aderências, essa situação dificilmente causará maiores problemas, mas sua remoção poderá levar a abcessos pélvicos e outras complicações (614). Alguns pesquisadores pensam que os dispositivos não-medicados devem ser removidos (42, 183, 237, 449). O Painel Consultivo Médico da IPPF International considera esse procedimento necessário somente se a mulher tiver sintomas abdominais (164).

Expulsão

Depois de colocado o DIU, as contrações uterinas poderão empurrar o dispositivo para baixo, causando expulsão parcial ou completa. As taxas de expulsão variam de menos do que uma a mais de 7 em cada 100 mulheres, no primeiro ano de uso (veja a Tabela 1). A maioria das expulsões ocorre no primeiro ano, especialmente nos primeiros três meses depois da colocação (173, 314, 368, 385). Se não detectada, uma expulsão parcial ou completa poderá levar a uma gravidez involuntária e, portanto, as usuárias do DIU devem saber como verificar a posição do fio do DIU para garantir que o dispositivo continue no lugar adequado (veja o Quadro 7).

Vários fatores influenciam a probabilidade de expulsão. As mulheres mais jovens e as mulheres que nunca estiveram grávidas ou que nunca tiveram filhos, têm maior probabilidade de expulsar o DIU (333, 334, 340, 383, 437, 444, 516, 546, 583). Um estudo recente de casos e controles, baseado em dados de um teste clínico internacional também constatou que as mulheres que têm menstruações dolorosas ou volume anormal de fluxo menstrual tinham mais probabilidade de expelir o DIU do tipo T de cobre (569). Acredita-se que a colocação correta, com o DIU colocado até alcançar o fundo do útero, reduz as chances de expulsão (60, 71) (veja a Foto 2).

Gravidez Intra-Uterina

O DIU é um anticoncepcional muito eficaz, mas se ocorrer uma gravidez, existe também o potencial de ocorrerem complicações graves. Nesses casos, é sempre necessário contar com cuidados médicos.

O aborto espontâneo é a complicação mais freqüente de uma gravidez que ocorre com o DIU in situ. Cerca de 50% a 60% das gravidezes uterinas terminam em aborto espontâneo se o DIU não for retirado (4, 195, 358, 371, 413, 463), ou seja de 2,5 a 5 vezes mais do que com outras mulheres (186, 413, 459). Mais da metade dos abortos espontâneos de usuárias de DIU ocorrem no segundo trimestre (215, 358). Estudos anteriores constataram que o aborto espontâneo séptico (infectado) do segundo trimestre – raro, porém perigoso – era mais comum em mulheres cujos DIU’s foram deixados no lugar do que em mulheres que não usavam o DIU à época da concepção (109). No entanto, esse aumento do risco estava associado com o DIU Dalkon Shield, que já não está mais disponível, sendo que não existe prova conclusiva ligando o uso de outros tipos de DIU ao aumento do risco de abortos sépticos (488).

Como pode ocorrer uma infecção durante uma gravidez se o DIU continuar colocado, o DIU deve ser removido assim que se constate a gravidez (1, 437). Isso praticamente elimina o risco de aborto séptico e reduz o risco de aborto espontâneo aos mesmos níveis a que estão sujeitas outras mulheres (4, 109, 195, 371, 557).

Se o DIU for deixado no lugar durante a gravidez, aumenta o risco de parto prematuro (413, 463, 488) mas não aumenta o risco de outras complicações, tais como defeitos congênitos, anomalias genéticas ou gravidez molar (um crescimento uterino que imita a gravidez) (152, 232, 276, 344, 371, 413, 488, 557).

Gravidez Ectópica

Existem cada vez mais indícios de que a maioria dos DIU’s ajudam a proteger contra a gravidez ectópica enquanto estiverem sendo usados. No estudo multicêntrico da OMS, as usuárias de DIU tinham metade da probabilidade de engravidar ectopicamente do que as mulheres que não usavam nenhum anticoncepcional (442). Em estudos recentes realizados nos EUA e Indonésia, as usuárias de DIU enfrentavam 20% do risco de gravidez ectópica enfrentado pelas mulheres que não usavam nenhum anticoncepcional (576, 623). Uma análise recente de testes randomizados constatou que a segunda geração de DIU de cobre e LNG-20 reduz as taxas de gravidez ectópica a 10% do nível encontrado entre mulheres que não utilizam nenhum anticoncepcional (543). Apesar disso, o DIU oferece menor proteção contra a gravidez ectópica do que os anticoncepcionais orais usados consistentemente (261, 442, 576), ou do que os métodos de barreira (442, 623).

O DIU protege melhor contra a gravidez intra-uterina do que contra gravidez ectópica. Portanto, se uma usuária de DIU engravidar, a probabilidade de que essa gravidez seja ectópica é maior do que numa gravidez de uma outra mulher (369, 424, 442, 463). Entre as usuárias do DIU, estima-se que uma em cada 25-30 gravidezes, ou seja de 3% a 4%, seja ectópica. As taxas de gravidez ectópica variam para a população em geral. Nos EUA, Canadá e Europa, mais de 1% de todas as gravidezes são ectópicas (543, 628).

No entanto, a ocorrência de gravidez em uma usuária do DIU não é comum e, portanto, a gravidez ectópica em uma usuária do DIU é rara. Para a maioria dos DIU’s usados mais amplamente, ocorrem menos do que 1,5 gravidezes ectópicas por 1.000 mulheres-anos de uso do DIU (69, 73, 314, 327, 330, 335, 543).

Diferenças entre os dispositivos. No caso dos DIU’s inertes e dos DIU’s que contêm cobre, as taxas de gravidez ectópica parecem refletir a eficácia geral. Por exemplo, dois dos tipos de DIU mais eficazes, o TCu-380A e o MLCu-375, apresentam as taxas mais baixas de gravidez ectópica, 0,25 e próximo a zero gravidezes por 1.000 mulheres-anos, respectivamente, de acordo com os resultados dos principais estudos clínicos (69, 73, 314, 330, 335, 543, 648). O LNG-20, DIU de alta eficácia, vem demonstrando uma taxa de gravidez ectópica ainda mais baixa do que a maioria dos DIU’s com cobre com os quais ele foi comparado (546, 556), talvez porque ele, às vezes, elimina a ovulação (257). Em contraste, o Progestasert apresenta índices mais altos, de 4 a 5 gravidezes por 1.000 mulheres-ano (116, 327, 400).

Apesar de não terem ainda sido esclarecidos certos aspectos relacionados à gravidez ectópica durante o uso do DIU, as implicações clínicas são claras:

  • As mulheres que usam o DIU devem ser informadas sobre os sinais da gravidez ectópica. Elas devem conhecer os sintomas – dor abdominal, sangramento mais escuro e espaçado ou sangramento entre as menstruações, acompanhado dos sinais típicos de gravidez – e retornar imediatamente para receber cuidados médicos.
  • Se uma usuária de DIU conceber ou mostrar sinais de gravidez, os serviços de atendimento de saúde devem sempre verificar se a gravidez é ectópica.

No entanto, o fato de uma mulher já ter passado por uma gravidez ectópica não a impede de usar o DIU, se este é o método anticoncepcional que ela prefere (565).

Outras Condições

Não existe qualquer evidência de que o DIU cause qualquer tipo de câncer (148, 194, 280, 332, 436). Na verdade, estudos de casos e controles realizados nos EUA e Itália constataram que as mulheres que usavam o DIU tinham metade da probabilidade de desenvolver câncer de endométrio do que as outras mulheres (578, 617). No entanto, estas observações devem ser interpretadas com cuidado, já que as mulheres que têm sangramentos menstruais prolongados ou abundantes têm, ao mesmo tempo, maior probabilidade de desenvolver o câncer de endométrio e de evitar o uso do DIU (617). Um estudo de casos e controles nos EUA sugere que o DIU com cobre oferece algum nível de proteção contra o câncer cervical. A redução do risco a cerca de 60% não era estatisticamente significativa. A análise realizou ajustes para compensar pelo número de parceiros sexuais, histórico de infecções vaginais e outros fatores (526).

As usuárias do DIU podem ter maior probabilidade de desenvolver vaginite não-específica (também chamada de vaginose bacteriana), de acordo com dois estudos realizados (455, 474). No entanto, é preciso realizar mais pesquisas.

Vidas Preservadas

Como os DIU’s mais recentes previnem a gravidez de forma tão eficaz, o uso do DIU preserva muitas vidas que poderiam ser perdidas por razões ligadas à gravidez. Nos países em desenvolvimento, o risco médio anual estimado de morte devida a causas relacionadas à gravidez e parto pode chegar a 185 por 100.000 mulheres que não utilizam anticoncepcionais; nos países desenvolvidos, o risco médio estimado pode ser de 11 por 100.000. Estas estimativas são baseadas em taxas de mortalidade maternal de 420 mortes por 100.000 nascidos vivos em países em desenvolvimento, e 26 por 100.000, em países desenvolvidos (636), e em taxas estimadas de fertilidade anual de 444 nascimentos por 1.000 mulheres sexualmente ativas, mas que não usam anticoncepcionais, em países em desenvolvimento, e de 420 por 1.000, nos países desenvolvidos (638). Em contraste, a morte por causas relacionadas à reprodução é rara entre as usuárias do DIU. Pesquisadores da OMS e dos Estados Unidos estimaram de uma a duas mortes por 100.000 usuárias de DIU por ano, causadas por infecção, gravidez ectópica ou aborto séptico no segundo trimestre (262, 301, 384, 436).

O DIU é um dos métodos mais seguros de planejamento familiar, de acordo com estimativas de taxas de mortes anuais entre mulheres dos EUA que usam vários métodos de planejamento familiar ou nenhum método. Para cada método utilizado, ou para aquelas que não usam nenhum método, o estudo estimou os riscos de morte resultantes da gravidez ou do parto, nos casos em que o método falha, ou de morte resultante de complicações na utilização do método. Para quase todos os métodos, a gravidez resultante de uma falha do método é responsável pela maioria ou por todo o risco. Assim, em geral, os métodos mais eficazes, inclusive o DIU, são os mais seguros, sendo que o uso de algum método é mais seguro do que não usar nenhum método. Em todos os grupos de 5 anos, de idade entre 15 e 44 anos, o DIU tem as taxas estimadas mais baixas de mortalidade, excluindo-se a vasectomia (596).


Population Reports is published by the Population Information Program, Center for Communication Programs, The Johns Hopkins School of Public Health, 111 Market Place, Suite 310, Baltimore, Maryland 21202-4012, USA

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